Todos eles guiam a sua estúpida viatura de lata como se nela carregassem/ transportassem potes de ouro. Conduzem rápido como se por isso parecessem as pessoas atarefadas que não são. Mas não parecem. Simplesmente demonstram a sua falta de carácter, e pelo menos eu não vejo qualquer charme nisso.
Conduzem como se não fosse do dinheiro e luxuria do que tudo se trata. Conduzem como se estivessem desprevenidos aos olhares de quem vê de fora dos vidros fumados metafóricamente. E quem me dera não conseguir sentir o ardor da dor das pessoas vazias. Vazias por opção, por segurança. Quem me dera perceber se a música alegre que me percorre os cantos à cabeça (tenho as ideias trocadas!) serve para disfarçar a dor que sinto por sentir a dos outros, ou se é simplesmente sarcasmo da parte dessa sacana.
E o que mais dói é saber que todos nós temos e sempre tivemos o mundo atado a uma fita mas nunca conseguimos segurá-lo. Tomamo-lo como garantido e como se de nada se tratasse, lidamos com a vida como se a tivéssemos ganho num parque de diversões. Mas isto são sempre ideias inacabadas que nunca vou conseguir retratar num pedaço de papel, ideias que só quem sente sabe, e só quem sabe sente.