sexta-feira, 11 de março de 2011

; retrato de uma vida. ( metallica. )

* Junta-se sangue novo a esta terra, e rapidamente é subjugado pela constante dor, pela constante desgraça. E eu aprendi as regras dele. Eu fui enganada, e errei. Despromovida de todos os meus pensamentos, aguento e aguento, cada dia, e eu sei. Eu sei de tudo, e jurei a mim mesma que a partir deste dia, ele tomaria o seu destino. E o que eu senti, o que eu soube, o que nunca fui, o que nunca vi ! Nunca fui livre e jamais saberei no que me poderia ter tornado, no que poderia ter feito, ter mostrado ! Então, eu nomeio-o imperdoável. Ele dedicou a vida dele a tentar tomar tudo dele, a tentar satisfazer a todos, e acabou por se tornar numa pessoa amarga e inútil. Por toda a minha vida lutei, e vou lutar agora. Uma luta que ele não pode vencer. Estou cansada, sim, mas não importa. Se morrer, preparo-me para morrer cheia de arrependimentos.

* Deita-te ao meu lado, diz-me o que ele te fez. Diz tudo o que quero ouvir, para fazeres os meus demónios fugirem. A porta está trancada, mas vai abrir-se se fores verdadeiro. Se me consegues entender a mim, eu conseguirei entender-te a ti.
Deita-te ao meu lado, sob o céu, o céu maligno, e partilha-o comigo. A porta partiu-se, mas não se vê qualquer raio de sol sobre ela. O coração negro, permanece obscuro, com medo. E o que eu senti, o que eu soube, virando as páginas e as pedras, atrás da porta. Deverei abri-la, para ti ? O que eu senti, o que eu soube, doente e cansada, permaneci sozinha ! Tu poderias lá estar, porque sou eu quem espera por ti. És imperdoável, também ? Deita-te ao meu lado, não vai doer, isso te prometo. Ele não me ama, ele aínda me ama, mas não amará novamente. Ele deita-se a meu lado, mas estará lá quando eu partir. Sim, ele estará lá quando eu partir, morto, decerto que estará. Deita-te ao meu lado, diz-me o que eu fiz. A porta está fechada, tal como os meus olhos, mas agora vejo o sol, agora sim, vejo-o. O que eu senti, o que eu soube, peguei nessa chave e escondi-a em ti, porque tu és imperdoável também.

* Como poderia eu saber que a minha nova aventura mudaria a minha vida para sempre ? Naveguei no mar, mas desviei-me da rota, concentrada na luz do tesouro dourado. Era ele que causava dor nos teus sonhos descuidados ? Com medo, sempre com medo do que tu sentias, poderia ter ido embora, poderia ter navegado, para fora dali. Como posso estar perdida, se não tenho para onde ir ? Procuro mares de ouro ! Como pode isto tornar-se tão frio, como posso estar perdida nas lembranças que revivo ? E como consigo eu culpar-te, se é a mim que não consigo perdoar ? Estes dias tornaram-se vagueantes no nevoeiro, densos e sufocantes. A minha vida de submersão, fora do meu inferno; dentro, intoxicante. E tu encalhaste, porque tal como a tua vida, a água é muito rasa. Escorregando rapidamente, para baixo com o teu navio, desapareceste nas sombras. O que nós tinhamos tornou-se  num naufrágio, e tu fugiste, nadaste para longe. Porque é que não me consigo perdoar ? E como consigo culpar-te, se é a mim que não consigo perdoar ?

Com o apoio de "The Unforgiven I; II; III", by Metallica.

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