Ainda me lembro de quando era inocente.
Naqueles dias em que falava com "w", em que cada sorriso meu encantava mil e uma pessoas.
Lembro-me dos Excelentes e Satisfaz Bem que tirava.
De quando olhava para toda a gente com bondade, e queria que fossem todos meus amigos.
Nunca me preocupava com o que vestia e não chorava por sentimentos.
Sabia defender-me a mim e aos outros.
Lembro-me do olhar carinhoso, bochechas redondas e ar de contente, cada dia.
De pensar que, para saber tudo « só me faltava saber ver as horas, fazer bolinhas com pastilha e assobiar. »
Do meu amor pela Natureza.
De tudo o que ensinei, de tudo o que me ensinaram.
Das boas acções que fazia.
Lembro-me que, todos os dias, sem falta, dava o lanche que a minha mãe me preparava á Ritinha, que não tinha dinheiro para o dela e estava sempre cheia de fome. Adorava vê-la feliz.
Lembro-me de abraçar a minha avó e ajudá-la a fazer bolos; lembro-me de quando eu estava doente, ela tratar de mim e fazer-me aquela massa que eu tanto adorava.
Lembro-me de fingir que guiava o Carocha azul bebé. Achava-lhe tanta piada !
Lembro-me de estar sempre no jardim a colher cerejas e a subir ás árvores, a tentar imitar os gatos, e de me divertir, mesmo estando sozinha.
Lembro-me do quanto a infância era fácil.
Cada dia que a minha mãe ia ás compras dava-me um chocolate, que eu guardava no meu cofre precioso.
As paixões eram só um bichinho cor-de-rosa no coração.
O céu era azul porque alguém o tinha pintado.
Lembro-me de quando eu dizia "não", toda a gente achava adorável.
De brincar com o meu pai ás sereias e aos golfinhos.
Lembro-me de o meu avô me ensinar a assar castanhas, no Outono.
Lembro-me de quando tinham que me arrastar para sair do colo reconfortante e quente dos meus pais.
Lembro-me de quando um doi-doi se curava com um beijinho.
Lembro-me das visitas de estudo e das actividades da escola.
De pensar que o aspecto de alguém não importava a ninguém porque não me importava a mim.
Lembro-me dos meus caracóis perfeitos e das minhas mãos pequenas.
Do relógio que me compraram no Natal.
Lembro-me de quando o menino Jesus resolvia tudo.
De quando ia á missa.
Dos piqueniques com o meu primo e a minha avó.
Do dinheiro que ela me dava e escondia dos outros, cada dia, só por estar « cada vez mais bonita ».
Lembro-me de fingir que o cão era um cavalo, e brincar com ele.
Lembro-me de quando me ensinaram a ser uma senhora.
E o meu maior crime, foi crescer.

1 comentário:
Não é por teres crescido que essas coisas têm qe mudar .. algumas delas com 20 anos eu ainda continuo a ter minha peqenina.. a inocência não faz mal a ninguém ... o querer ajudar tambem não! Se há pessoas que pisam e magoam... vivo bem com isso! Mas o que me importa é olhar pa mim e ver que agi bem de acordo com aquilo que eu sou.. e que apesar dos anos me mantenho fiel a mim mesma. Continuam-me a chamar criança porque faço coisas tontas como andar na trotinete de uma menina de 5 anos .. mas sou eu! Percebes? Crescer não precisa de ser mau... Não precisa de mudar como és... Mantem-te apenas fiel a ti própria! <3 Gosto muito de ti pequenina .. estou aqui se precisares!! (sei qe a distância não ajuda mas gostava que soubesses ) beijinhoo*
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