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Podes ter feito muito barulho no quarto porque a mãe se zangou contigo ou porque és simplesmente uma menina muito feia.
Podes ter partido aquela jarra porque por mais que te digam que representas bem, e por mais que gostes de o fazer sabes que não és boa nisso. Nunca foste, nunca serás.
Até podes ter pisado a flor cor de rosa do jardim porque eles não acreditam que o que tu vês (ou queres ver) esteja mesmo lá. Mas está.
As escolhas que queres seguir num momento já não as queres seguir no outro, e a explicação deles é sempre a idade e a confusão. Mas tudo o que tu queres é ser livre. De tudo.
Querias usar aquele vestido de renda que te faz parecer uma princesa mas já não te serve e de qualquer maneira eles iam gozar contigo.
Gostavas de ser loira, de olhos verdes e lábios rosados, como aquela da televisão mas sabes que isso não vai acontecer; e quanto mais tentas, pior ficas.
Recusam-se a deixar-te falhar como humana, e insultam a tua maneira de ser.
Não percebes porque é que a tua personalidade tão odiada não muda.
Dizem que tens mais capacidades mas não as usas, mas o que eles não sabem é que tu fazes o que te deixa realmente feliz.
Neste ponto, só sabes falar, confiar, e chorar com o gato.
Fazem escolhas por ti. Planeiam a tua vida, minuto a minuto, desenham um céu azul escuro no tecto do teu quarto e não aceitam que com esta idade tu queiras um arco-íris colorido.
Não consegues evitar fazer ou dizer coisas que ás vezes não deves.
Só deverias saber responder quando são eles a perguntar-te. Quem és tu?
Torna-se mais claro?

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