terça-feira, 24 de abril de 2012

De onde vem esta dor?

Fui abandonada repetidamente na minha vida. Abandonada principalmente por aqueles que mais amei, abandonada sem sequer ter direito a uma simples despedida. Fui abandonada e acentuadamente e acima de tudo fui desiludida. Porquê?
Porque o amor que eu achava que tinhas por mim nem passou de uma ilusão, no meu actual ponto de vista. O meu era demasiado real.
E questiono-me se ainda pensas em mim. Se sentes saudades e se choras um pouquinho de vez em quando. Se também escreves parvoíces destas à espera de um dia serem encontradas. Mas provavelmente nem te lembras.
Se te lembrasses de mim, lembrar-te-ías daquela menina pequena de cabelos suaves e consciência livre. De olhar leve. Mas essa menina cresceu, e eu já não tenho sete anos nem vejo as coisas da mesma maneira.
Provavelmente tu também envelheceste. Não deves continuar a ter a agilidade suficiente para me agarrar e rodar quando corresse para ti no meio da igreja.
Mas que rebeldes que nós éramos! É a ultima memória que tenho de ti.
Vou fazer 15 anos ao despertar do Verão. Claro que já não estou à espera que estejas presente no meu aniversário ou que sequer te lembres dele. Tal como nos últimos. E nos Natais, Páscoas, Carnavais e Jantares de Família. Já não espero ansiosa à porta de casa, ano após ano, já não pergunto se ligaste. Agora percebo o silêncio opaco e os olhares tristes que lançavam lentamente uns aos outros quando o fazia. Já não verifico o correio a cada dia. Já não vasculho o sótão da avó, não viro baús para ler o teu nome rabiscado entre o pó em livros, cadernos e discos de vinil. A esperança de um sinal teu já morreu. Mas a saudade permanece, e dói muito, cada vez que me lembro da pobre existência dela.
Olha que criança que sou. Quero-te tanto como quis todos os dias desde a infância.
E esta pequena dor cresceu repentinamente João Paulo, e cresceu muito.
Continuo ansiosa, sim, por ouvir todas as tuas histórias e aventuras novas, as brincadeiras que inventaste, as músicas que te inspiraram.
Pergunto-me se algum dia voltarás a escrever, se voltarei a ouvir a tua voz. Gostava dela, achava-a uma voz feliz.
Até lá, juro guardar-te para sempre no fundo do peito, tio.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Horrivelmente Limitada

Estou farta de prometer mentiras forçadas. Mais do que intransmissíveis metáforas, as tão consagradas quando se trata de mim. Faz tudo parte do mesmo episódio, do mesmo capítulo, do mesmo reconciliamento que cada par transforma entre sim, cantando e tocando-se apressadamente sem sequer sentir o sabor doce mas diferente, como chocolate com malagueta. Uma experiência incomparável, palavras que saem das bocas não só dos cozinheiros mas também daqueles cujo pecado é a gula.
Mas as minhas não têm a noção de onde pensam que vão, são metáforas demasiado desleixadas ou até intocadas, porque ainda há muita verdade por dizer.
O karma é bastante compreensível, demasiado perfeito para um tal organismo dos membros conservadores da minha memória. E eu fiz mal em tocar nisso, em pensar e nem dizer a verdade para meu próprio bem, por meu próprio egoísmo. Tivesses juízo. Reflecte-se a dor do grilinho falante, da consciência. E, complexidades à parte, há consequências, estas bastante dependentes das propostas de "já estava a prever".
Protege e defende os eleitos à sensibilidade do órgão recolector de golpes de intensidade das ligações: O cérebro é re-eleito presidente em cada segundo. Se não funcionar em condições continua a ignorar o povo enigmático e esfaimado. O senhor presidente e os seus secretários sempre serão gulosos. O sufrágio do povo nunca é válido.
E como o tempo se deixa passar entre as horas existentes para próprio entretenimento. Até aposto que algo que gira os ponteiros se distrai porque também se está a divertir e chora, porque acaba desempregado. Lá se vai o conceito de "Hypopherinia". É o défice de justiça entre quem come e quem cultiva. É aborrecido, mas já ninguém compreende. Mas o contributo de algumas figuras de paz enlouquece o aparecimento de injustiça, e esta é vingativa.
Todos os indivíduos da minha geração são destinados à infeliz vontade de não poder fazer o que se quer e o que se ama, de alargar talentos; abrindo caminhos de pregos ferrugentos para fazer o que rende mais, lutando indiscretamente o desemprego: a vergonha da vida, supostamente. Algo que possa lutar à necessidade em níveis elevados de ser feliz, morre.
E o que é importante dito por poetas, deixou de interessar. Esconde-se em poços fundos e inalcansáveis  por 99 % da população insatisfeita pelas actividades económicas, principalmente.
Já nem o céu permite felicidade a quem o olha, porque outros desafios são colocados, nomeadamente a acção da poluição luminosa. O calor já abafa, o ar já aperta, o frio já contrai cada músculo. Estes, reduzindo progressivamente a normalidade da situação, perturbam a união anónima e natural das coisas.
No âmbito da defesa da ajuda à paisagem, a recuperação internacional faz face ao próprio poluidor, e há muitos.
É o peso da sociedade: ficamos a olhar uns para os outros em vez de uns pelos outros. Os justos pelos insignificantes. Se calhar é altura de parar de ouvir e começar a agir, pelo próprio benefício. Como cidadãos temos o direito de contrariar a felicidade e soltá-la de vez em quando. Quando surgem os desafios e problemas.
São temas que nem me dizem respeito, dizem os adultos. Curiosamente, muitos deles são completamente indiferentes à comunidade.
Mas o intelecto ainda conta.

domingo, 15 de abril de 2012

Olhares

Vida, quando te perguntei se podias ficar pior, era uma pergunta retórica e não um desafio. Mas tu és tão teimosa.
E é por isso que não me apetece nunca acordar, porque acho mais interessante ficar na cama a cavalgar com o Lucky Luke, a fazer tranças ao Jack Sparrow e a proteger rapazinhos de um Apocalipse zombie causado por uma bomba nuclear em Las Vegas.
Mas depois o sol bate-me na cara com uma suavidade surpreendentemente violenta e eu apercebo-me de que tenho que acordar e viver a monotonia de todos os dias desta geração. De falsidade, aparência, de mentiras e traições, de ignorância, principalmente.
São tempos maus, para os sonhadores.








quarta-feira, 4 de abril de 2012

A mudança.

Rápido, escrever rápido para não perder a inspiração, para não perder as ideias, o brilho no olhar, a mente concentrada e as palavras todas na palma da mão fechada.
Não culpes o dia por estar chuvoso mas agradece-lhe por ter estado solarento, valoriza as coisas simples.
Não te culpes por não entenderes algo denominado simples mas fica feliz por saberes várias coisas que outros desconhecem, valoriza-te e ao teu conhecimento.
Não culpes as pessoas por estares tristes, cansadas, zangadas ou mal humoradas mas abençoa-as por terem mostrado ternura alguma vez, valoriza outrem.
Não culpes as redes sociais por estarem repletas de comentários sobre futebol, sexo e marijuana porque a culpada é a geração, que, pelos vistos, não entende absolutamente nada de nada. Aceita-a, com a condição de seres como queres ser, valoriza-a por não ser ainda pior.
Sê mais expressivo, mais positivo, dá valor a tudo e a todos porque amanhã podem não estar cá. E isto pode ser uma teoria apenas mas é destas teorias que se forma uma vida. E qual é o significado desta? Bem, digamos que é o que tu quiseres que ela signifique.
Toma matirapona se necessário, chora, agride-te, faz o que quiseres da tua vida para te esqueceres ou ultrapassares lembranças menos boas. Mas dá a tudo o devido valor. Não tenhas medo da mudança. Sorri nas alturas mais embaraçosas, nas mais tristes, e especialmente nas menos adequadas. Ri sozinho. Mima-te. Mima a tua mãe, o teu pai, a tua família, o teu gato, o teu cão e o teu coelho. Olha-te ao espelho sem rancor. Não guardes palavras. Prepara o pequeno almoço a alguém que amas. Respira ar puro. Passeia. Conhece. Diverte-te, ao máximo. E para te divertires não precisas nada mais do que a tua pessoa. Não te preocupes, tudo passa. Não temas as consequências do teu próprio bem. Atinge um alto nível de ego só para ti. Rebola. Ignora, se for preciso. Ama cada defeito. Liga cada qualidade. Observa. Desenha cada traço de companhia. Voa. Sonha. Faz-te feliz. Sabes porquê?
Faz tudo parte do encanto.

domingo, 1 de abril de 2012

; again

ÁS vezes pergunto-me onde é que tive os olhos todo este tempo
Se foram distracções, hologramas ou ilusões
Se foi num pedaço de mar, numa gota de sol ou no sorriso que via no vento
Ou na melodia que escorria dos padrões
Só sei que morro de contentamento em acordar focada em ti
E sorrir ás tentações
Novamente.