O Futuro, tal como o Destino, é fatal e inevitável a um nível bastante elevado. Mas isso não lhe importa. O Futuro nasce a cada segundo com uma força intensamente versátil e poderosa. E eu que nem costumo falar nele. Não gosto de o planear porque ele próprio acha divertido contrariar-me as vontades, e ainda se ri da minha miséria. É por isso que o deixo decidir o que fazer comigo: Porque as cerejas amadurecerão de qualquer maneira, no despertar de Junho. Nem que elas escolham não o fazer.
Mas o Passado não gosta dessa decisão, sabes? Ele gosta que as pessoas se agarrem a ele com garras e dentes, e é por isso que é sempre considerado o mau da fita, no fim da história. Por tudo, por nada, por alguma coisa. De qualquer maneira eu só o visito de vez em quando.
Alguns casos de passado foram vividos de forma aleatória e voluntária, e outros de forma violenta, mas, independentemente disso, até à morte do Passado, o Futuro permanece lá. Porque o Futuro depende do Passado, e, para os que acreditam no Destino, o Passado depende do Futuro.
E como me transtorna fazer tudo tanto sentido. Como me choca o facto das peças do puzzle encaixarem sempre tão perfeitamente, sem um único erro de relevo. Esses, são as mentiras, mas isso já é outra história.
Valorizando a vida, não houve grande iniciativa da parte de muitos em torná-la mais produtiva, menos solitária em relação a memórias. Mas a verdade é que não é um assunto propriamente simples, a saudade.




















