segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Filósofos.

O que reti da aula dele?
De cabelo grisalho e olhos esbugalhados detrás dos óculos cujas lentes estão muito limpas; sinais de calvície e sobrancelhas volumosas, mãos cobertas de pelos e unhas rentes, dentes amarelados e veias salientes.
Camisa ás riscas entalada nas calças de ganga vincadas, numa tentativa de rejuvenescer. Tem rugas profundas nos olhos, quando ri, mas não o evita. Nariz bicudo, lábios pouco desenhados.
Carrega nos s's, pronúncia da (s)Serra da Estrela.
Sarcástico.
Sereno.
Sábio, talvez.
Impávido.
Obcecado por um certo tipo de arrumação.
Defende que a individualidade é sagrada.
Acredita que uma bomba atómica pode servir de pisa-papeis.
Somos todos diferentes.

domingo, 16 de setembro de 2012

O que se passa, o que se passa convosco pessoas?
Só se interessam em atenções, vestidos nos vossos smokings e nos vossos vestidos de baile. Rodeados de luzes brilhantes, com as malinhas de mão recheadas de dinheiro. Mal ganho e mal gasto, na maioria dos casos.
"Perdoe-me que vou usar os lavabos." E elas retocam o batom e eles endireitam as gravatas. Elas endireitam desconfortavelmente o peito e eles alisam a camisa. Elas compõem o cabelo, tal como eles. E saem com o sorriso mais triste, mais comprado, mais desesperado que há.
Bebem o seu Martini e vão para casa acompanhados. Acordam sozinhos.

Um dia vão perceber que perceberam tarde.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Boneca remendada?

Já não sei de nada.
Por alguma razão perdi o apetite habitual:
Já não quero sair até tarde, já não quero ir a festas. Já não quero usar sapatos altos nem dançar. (Será que o fazia à procura dele?)
Fui alertada. Será que cresci ou será que me tornei significativamente mais infantil?
Porque ando cansada? Porque ando nervosa? Porque ando vidrada? Porque ando desinteressada, desinteressante? Porque é que já não desejam a minha companhia? Será que fui deixada?
Hoje sinto-me um cachorro. Um cachorro que cresceu sem dar conta, cujos donos enfiaram à força na mala do carro. Guiaram sempre em frente e deixaram-me longe. Nunca mais me virão buscar. Nunca mais vou ter diamantes em lugar dos olhos.
Perdi-me e não me consigo encontrar.
Não se pode agradar sempre a toda a gente.

domingo, 9 de setembro de 2012

Diariuh d umah apaixunadah xd s2

Mas é claro que há aqueles assuntos que são sempre falados, inevitavelmente, sem sequer se notar, ás vezes.
O amor, por exemplo. Tu esgotas-mo! Usas todas as doses diárias que tenho dele, e fazes-me dormir bem para na manhã seguinte ainda ter amor fresquinho para te oferecer, tal como no dia anterior, e no que se segue. É isso que tu me fazes. És um "love-addicted" e eu adoro, talvez porque também sou. (Mas só pelo teu.)
Mas eu adoro ser só tua. Adoro mirar-te atentamente e abraçar-te enquanto dormes. Chatear-te também. Morder-te. Beijar-te. Brincar contigo. Fazer loucuras. Os teus olhares, os teus abraços, os teus amuos, tudo.
Já viste? Parece uma declaração de uma pitinha. Deixei o pouco jeito para escrever no quarto e vim para a biblioteca com toda a determinação que cá encontrei. Palavras simples, que digam tudo, sabes?
Eu amo-te. Eu amo-te! Eu amo-te muito! Eu amo-te mesmo muito! Eu amo-te mesmo muito, Francisco! E neste mundo só há uma coisa pela qual sinto receio: Tu deixares-me.
Não o faças amor.
«Agora entendo porque o tempo está nublado: O céu está todo nos teus olhos.»