terça-feira, 12 de março de 2013

Está bem.

"-Have you been drinking son? You don't look old enough to me.
-I'm sorry officer, is there a certain age you're supposed to be? 'Cause nobody told me."

Mal eles sabem que bem ao fundo do vidro da minha pupila se encontra a lágrima a que todos pertence. Que as tartarugas, ao eclodirem dos seus ovos, se apressam para chegar ao mar, mas que connosco essa distância é muito maior.
E eu continuo a não entender o porquê de entender, o porquê de prever o pior, o porquê de o recear, o porquê de ver a indiferença de todos por detrás da cortina vermelha, espessa, aveludada e pesada.
É tão assustador, porém, o desejo da surrealidade, o desejo de algo mais intenso, mais drástico de uma certa maneira, mais completo, mais definido, mas clandestino, mais repentino, mais imprevisível.
Será justo, então, lembrar-me das recordações mais banais? Mais vulgares? Menos importantes? Ou significarão elas algo mais?
Lembro-me de quando descobri a liberdade. Deram-me permissão para sair do hotel do Algarve e ir comprar guloseimas. Talvez por falta de paciência. Era tudo tão cruelmente diferente. Pedi pastilhas de morango, deram-me de limão: não gostava, nunca gostei. E apesar de, da mais simples das maneiras me ter apercebido de que nunca seria levada a sério, tive esperança que aquilo me soubesse bem, que gostasse na mesma, só por ter tido a liberdade de a ir comprar. Fingi que sim, mas enganei-me, mais uma vez. Mal eu sabia quantas vezes se repetiria a situação.

Sem comentários: