segunda-feira, 22 de julho de 2013

I don't wanna wait

Quando procurei um trevo com quatro folhas não o encontrei. Procurei bem a tão desejada sorte em todos os cantos, recantos e encantos do jardim outrora florescido. Milhares eu encontrei: milhares vulgares. A vulgaridade ataca sempre em grande número. Os especiais são ostracizados e escondidos pela media. Escondidos atrás do papel, porém, por ele reluzentes. Quase abandonei o jardim nesse dia. Sem qualquer mágoa, apenas frustração.
"Logo te conto uma história, Joana."
E tantas histórias esconde o meu jardim. Histórias mais escondidas do que o trevo. Escondidas à sombra do Acer, talvez. Escondidas na ausência de melancolia e do baloiço colorido onde gastei horas e horas da minha eterna vida. E chegava-me.
Varreu-se-me a inspiração, voltou para o túmulo por um segundo. Segurei o mundo com as mãos e puxei-o violentamente. Deixei de procurar a maldita sorte. Quando acabei, só observei a maneira como a relva me caía das mãos. À primeira das mais simples vistas, lá estava o trevo de quatro folhas, intacto. Impávido e sereno, sarcástico. Satisfeito.
Não o colhi.
Qual é o lutador que precisa de sorte?

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