terça-feira, 13 de dezembro de 2011

; promessas.


Querida Marisa,
É como uma caixinha redonda e forrada de veludo, daquelas que guardam os colares, os anéis, os amuletos e pulseiras de ouro das avós, e todas aquelas outras riquezas que elas querem oferecer-nos porque também elas as herdaram das suas familiares que viveram uma vida tão dura como feliz. Eu tenho dessas coisas, os colares e bugigangas que "definem" a história das mulheres da família. Mas para mim não é esse tipo de coisas que escreve um livro bem escrito, no fundo são apenas as histórias que eu posso contar a tudo e a todos, confiando que são 100% verdadeiras.
E eu, vivi, eu sonhei, eu chorei, eu sofri, eu ri, eu senti, eu inspirei com a esperança de não expirar, eu adormeci confusa e com medo de acordar, eu escondi palavras, afectos e emoções, eu tentei com que a minha vida fosse complexa de ilusões, eu menti.
Menti, falei, critiquei, mas sobretudo aproveitei. Podes sobretudo acreditar com compaixão, e muita certeza que tu fazes parte de metade das minhas histórias, aquelas que eu vou contar aos meus filhos e aos meus notos, e fazê-los entender que não é preciso muito para ser feliz, e isto foi a maior lição que me deram na vida. E não o aprendi com a minha mãe, com a minha irmã, com os meus amigos ou "amantes" nem com o resto dos biliões de pessoas e seres que existem no mundo. Aprendi-o contigo. É algo que não se esquece na vida, algo que não se pode mudar: o conceito de aprender a viver, o conceito que se aplica todos os dias na minha vida; é graças a ti que eu posso dizer e afirmar seguramente "Eu sou feliz" e lamento muito que nem toda a gente aprenda a não se preocupar com nada, como tu me fizeste fazer entender.
Eu acredito que tu acreditas que eu sofri, e que sofri muito. Tu lembras-te. Foi há um ano e foi uma época triste mas que me ensinou várias coisas e eu hoje vivo bem com isso e segui em frente, tanto que decidi arriscar de novo com esse meu erro; desta vez não com um, mas com dois pés atrás. Tu foste a que mais me apoiou nessa e noutras épocas difíceis; que tu me olhavas sempre com carinho e tiveste sempre um ombro para mim. Aliás, tu sabes bem que sempre me limpaste aquela lágrima isolada nos olhos, sempre me puseste um grande sorriso na cara, naquelas nossas super-noites essenciais à nossa, pelo menos á minha, simples vida.
E eu lembro-me de todas as nossas aventuras, absolutamente todas! Tudo começou nos teus anos, porque subitamente decidiste convidar-me. Tínhamos começado a falar há pouco tempo, relativamente e talvez tenhamos sentido uma ligação, um sinal de que algo nos queria juntar, pelo nosso bem, das duas.
Nessa noite choraste, lembro-me bem. Nós até tínhamos passado a tarde juntas, pusemos as nossas mães a falar, felizmente (até porque se tornaram grandes amigas) e por essa pequena ligação, puxou-me uma ainda maior que me juntou a ti, para sempre.
Fiquei preocupada e começaste a desabafar comigo. Passado poucos dias já confraternizávamos e falávamos de tudo, tudo! E nada nos parava quando estávamos juntas.
Nos meus anos vivemos também muitas aventuras, principalmente quando acordámos o meu avô quando tu mandaste um berro devido à fofura dos meus gatos bebés (e uma vez até encontrámos uns, lembraste?) E depois disso, bem... "Inseparáveis" acho que é a palavra correcta.
Acordámos com neve lá fora e divertimo-nos com ela; cantámos e berrámos e fizemos figuras na rua; conhecemos pessoas novas; apoiámo-nos no bem e no mal; comemos todas as porcarias deliciosas do mundo, tipo crepes com todo o tipo de coisas, gelados, bolos, sandes, maçãs, gajos, gajos, gajos, e muffins e tudo o que existe com chocolate; dormimos umas 50 vezes na casa uma da outra; embebedámo-nos; caímos, aleijámo-nos; cantámos; viajámos; vestimo-nos de pirata e fizemos strips; entrámos em pânico e vimos filmes de terror; falámos sobre tudo o que havia para falar; rimos até chorar; levámos com sermões por VIVERMOS; fizermos asneiras; sofremos uma pela outra; mergulhámos na fantasia e nadámos na minha piscina; fizemos de tudo, vivemos. E havemos de viver mais, Marisa.
Neste dias tenho-me sentido tão ligada a ti como de antes, e quero ser tua outra vez, meu amor. Fizemos promessas e vamos cumpri-las, porque eu estou aqui e tu estás a meu ladoVamos voltar a nós. Amo-te.
Beijinhos, JoanaBanana.

Everything will be ok, in the end. If it's not ok, it's not the end.

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