As costas côncavas entre a cama desfeita, um abrigo agradável pela manhã fresca de Primavera.
Diferente:
Em termos de ser, sou,
Em termos de estar, estou.
Em termos de perceber, percebo.
sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
; próprio.
Por detrás das tuas pupilas vazias
Nasce a cada dia um novo mundo
Em que a população sou só eu
Mas mais ninguém vê.
Que o amor é eléctrico num segundo
Mas noutro pode ser imundo
Desde o dia em que apareceu um traço menos transparente
De um desejo mais profundo
De ter o que não se vê.
A essência acorda-me a alma
Novamente
E o coração transborda
De uma resplandecente corda
De uma firme mas flutuante pátria
Que forra as paredes do meu canto transparente
Fortalece-as como um manto
E desenrola uma figura
Que por mais que esteja longe
Rebenta de ternura
Por detrás das tuas pupilas vazias.
Nasce a cada dia um novo mundo
Em que a população sou só eu
Mas mais ninguém vê.
Que o amor é eléctrico num segundo
Mas noutro pode ser imundo
Desde o dia em que apareceu um traço menos transparente
De um desejo mais profundo
De ter o que não se vê.
A essência acorda-me a alma
Novamente
E o coração transborda
De uma resplandecente corda
De uma firme mas flutuante pátria
Que forra as paredes do meu canto transparente
Fortalece-as como um manto
E desenrola uma figura
Que por mais que esteja longe
Rebenta de ternura
Por detrás das tuas pupilas vazias.
sábado, 24 de março de 2012
; change back.
Entraste na minha mente como que uma flecha, daquelas velozes que lutam contra o vento teimoso e contrariador. E para dizer a verdade, deixaste-me aterrorizada com a ideia de amar verdadeiramente. Sim, já tinha gostado de alguém, mas acho que no momento nunca temos noção do nível a que o amor chega. É que me parece impossível a ideia de amar outrem mais do que a ti, alguma vez na vida. Porque quando sorris, o mundo é como se que parasse repentinamente, como se congelasse e me desse finalmente a oportunidade de reparar em ti novamente e esquecer tudo o resto. Lembrar-me daquele momento e só daquele. Encontrei-te desalinhado com a minha vida, na verdade, numa linha completamente paralela à minha, que por mais perto que fosse dela, não tocaria, jamais, no curso da minha vida. Porque por mais perto que estivéssemos alguma vez, estivemos sempre muito longe. Em hemisférios diferentes divididos pelo vento fugitivo de uma rua de paralelos. E não sei quem de nós nem porquê, teve o instinto de trocar as ideias da cabeça, de morder o lábio, ganhar coragem e atravessar a rua; mas o que eu concluo é que foi uma muito boa ideia.
Mais do que meu namorado, és um amigo, um confidente e um irmão.
Fazes-me sorrir, sua besta.
Mais do que meu namorado, és um amigo, um confidente e um irmão.
Fazes-me sorrir, sua besta.
segunda-feira, 12 de março de 2012
; fix it.
Decidi escrever um texto. Estive o resto da tarde a planear como o iria escrever: As palavras saíam fluídas, devido àquela adrenalina de inspiração que suponho que poucos conheçam. Mas os pensamentos, estes, são rápidos demais, porque não precisam de ser falados para serem provados. Então, por segundo, passaram-me mil ideias pela cabeça, filosofei até estar estafada porque o que eu estava de qualquer das maneiras era distraída. Ando assim.
Pensei, Joana, estou desiludida contigo e tu sabes porquê. Resumidamente pelo mesmo de sempre: Cumpro as promessas que faço a toda a gente menos as que faço a mim mesma. E eu que desta vez estava decidida a mudar. Não porque alguém não gosta de mim assim, porque sinceramente não estou minimamente preocupada com isso desde que não seja alguém pelo qual vale a pena mudar, mas porque eu, eu própria, já não gosto de mim. Estou sempre a ceder e sinto-me extremamente inferiorizada, e isso vai crescendo, como células de um vírus, multiplicando-se. A verdade é que eu espero sempre mais do que devo. Arranjo sempre desculpas que na minha cabeça fazem sempre sentido e são sempre suficientes por serem alimentadas pelo vício extremo de ceder. Isso também se passa contigo? É incómodo. Mas eu não posso evitar coisas destas porque é assim que o resto do mundo me faz.
Desculpem a expressão, mas, estou ligeiramente farta da sociedade em geral. Não me levem a mal, não é farta farta, mas levemente farta, como dois quilos de algodão em vez de dois quilos de metal, se é que me entendes. Para chegares ao patamar mais alto da tua vida tens de estudar 12 anos, mais uns quantos da faculdade, para poderes ir trabalhar, se é que não vais para o desemprego, o que, hoje em dia, acontece na maioria dos casos, uma situação desagradável. E para que trabalhas, perguntas-te tu? Para poderes tirar férias. Ou seja, resumindo, trabalhas para não trabalhar. Isto é tudo uma questão de dinheiro. Dinheiro e orgulho. E é por isso que isto está como está. Não só o país, mas como a acima falada sociedade. E como é que ganham o dinheiro? Uma pequena percentagem ganha-o a trabalhar, e o resto ganha-o a enganar o resto das pessoas, a roubar o povo com publicidade, a poluir as suas chamadas mentes ingénuas com os modelos da perfeita vida, que, admitemos, nunca chegará a ser alcançada com mais ou menos creme adelgaçante, com mais ou menos carros, com este ou aquele computador. O problema é que estes enganam outrém para poderem ganhar dinheiro, para poderem tirar as ditas férias, para poderem comprar cremes adelgaçantes, carros e computadores! Estás a seguir?
E eu tenho mentalidade suficiente para encarar essa realidade com o menor esforço porque é assim que isto é, é assim que isto está, e é assim que vai permanecer porque não vai haver nenhum "Super-Herói", nenhum cientista ou político que vá mudar isto assim de um dia para o outro nem pouco mais ou menos: Eu pertenço a esta sociedade, aceito-o apesar de estar contra, e sorrio apesar da raiva.
E por falar em sorrisos, há crianças em todo o mundo que sorriem pela sua tão afortunada sorte de adquirir um caderno e uma caneta.
(Peço-vos, digam-me o que não gostam em mim à minha frente.)
(Peço-vos, digam-me o que não gostam em mim à minha frente.)
sexta-feira, 9 de março de 2012
; so close, no matter how far.
Às vezes, fico só a olhar para ti. Aperto os lábios, porque todas as palavras me parecem insuficientes. Aquilo que normalmente se diz nessas ocasiões, aquilo que é aceite pelo protocolo da convivência social, não chega para começar a exprimir todo o invisível que me inunda. Então, quase sempre sentada a uma mesa, fico só a olhar para ti. Nesses momentos, não ter palavras é muito melhor do que ter rios delas. Aquilo que não sei dizer existe com muita força e, se tentasse encontrar-lhe nomes, estaria a diminui-lo, a transformá-lo em qualquer coisa possível.
É essa a natureza da matéria que partilhamos, é essa a forma daquilo que nos juntou. Sem esse mistério, continuaríamos a seguir os nossos caminhos. Talvez a metros, talvez a quilómetros, talvez em hemisférios distintos, talvez em ruas paralelas, as nossas existências seriam indiferentes uma à outra. Não quero sequer imaginar a possibilidade desse mundo cinzento. Ainda bem que existem os livros, ainda bem que existe a escola, ainda bem que existe a internet, o desporto, a cidade, os lugares físicos e não-físicos onde nos encontramos. Ainda bem que existe o pensamento e a memória. Ainda bem que existe a ternura.
Mesmo havendo palavras, é difícil dizer aquilo que se quer dizer. A voz fica presa na garganta ou antes da garganta. Não vamos cometer esse erro. Tu foste chegando devagar, foste entrando e quero que saibas que, hoje, és parte da minha família. Penso em ti entre aquilo que me é mais valioso e, sem explicação, sinto saudades tuas de repente. Muitas vezes, sinto o toque do sol, tão suave, e sorrio ao lembrar-me que vou partilhar esse bem-estar contigo. Sinto-me muito grata pela companhia que me fazes. Contigo, nunca estou sozinha.
Os dias têm horas, minutos, e eu existo em todos eles. Não vejo o mundo apenas a partir das montras das livrarias ou das pequenas fotografias que acompanham crónicas, como se tudo estivesse controlado. Sou uma pessoa, Joana, e só muito raramente está tudo controlado. Há vezes, simplesmente, em que estou num quarto qualquer. Um quarto onde, depois desse dia, nunca mais voltarei. Os meus amigos, a minha mãe, a minha irmã, a cidade da Guarda está a muitos quilómetros. A distância faz de mim uma menina perdida. Há muitos mais exemplos, claro, o coração a bater contra algo que o aperta. Então, tu chegas e cobres-me com a força de me desejares tanto bem. Tu proteges-me com pensamentos que atravessam oceanos. Comoves-me com esse bem-querer. Obrigado por, entre tantas possibilidades, teres escolhido a mais bondosa. Tu constróis-me. Devo-te a pessoa que sou.
E não importa se estivermos no mesmo lugar apenas por um instante há cinco anos, não importa se nunca estivemos no mesmo lugar, aquilo que realmente importa é o segredo luminoso que partilhamos. Não é feito de palavras, mas é transportado por elas. Esse é o nosso lugar, temos almas a vaguear nesse universo de sentido. Tu mostras-me todos os dias que a generosidade pode salvar. Tu tens muitos rostos, muitas histórias. Eu ouço-te e encho-me de esperança humana, de amor humano, e transbordo. Mesmo quando estou em silêncio, agradeço-te por me acrescentares um sentido tão profundo. Estar-te grata é estar grata ao mundo inteiro, ao fácil e ao difícil, ao doce e ao amargo. Sem um, não existiria o outro. Mesmo. Sem um, não existiria o outro, repito para que não restem dúvidas. Chegou a hora de, juntos, agradecermos pelas contrariedades. São elas, por mais feias, que nos permitem alcançar aquilo que está para lá delas. Ao mesmo tempo, são essas contrariedades, esses silêncios, que nos permitem prestar atenção ao que realmente nos interessa e que, como uma fogueira, nos ilumina o rosto.
Porque nos encontrámos, somos uma espécie de irmãos. Fomos capazes de existir sobrepostos e, por mais ou menos tempo, partilhámos a experiência partilhável. Se amanhã tudo se desfizer, saberemos que nos tocámos e espero que, perante o fim, sejamos capazes de nos sentir gratos pelo que tivemos e que é bastante mais do que a maioria das pessoas alguma vez chega a ter.
quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
; farta de imperfeição.
E é assim minha gente. Há sempre aquele amigo, uma pessoa que, apesar de maioritariamente não o saber, é especial.
Se calhar nem o conheces assim tão bem, e nem te dás ao trabalho de o fazer, talvez pelo medo acentuado que tens pela acompanhante e tenebrosa desilusão.
Ele diz olá com um sorriso na cara, e despede-se também com ele.
Nunca teve a "brilhante" ideia de te envergonhar para se sentir realizado, nem recusou a tua companhia, a tua palavra, a tua ideia, opção, pensamento, amor, amizade, camaradagem, conforto, nunca recusou o teu ombro.
Conheço a sensação. Quando tu dizes a alguém "ele é especial, é um verdadeiro amigo, gosto mesmo dele, nunca me falhou" mas depois acabas por saber que essa tal perfeição em pessoa diz o que não deve e nem tem coragem de to admitir na cara. É desgastante, no mínimo.
E aqui estou eu novamente a escrever sobre coisas sem sentido, a misturar pensamentos no mesmo recipiente usado, usando uma colher já suja.
Esperava tanto mais de mim, sabes? Boas notas, cavalheirismo, certezas, cabelo bonito, pele perfeita, olhos brilhantes, corpo perfeito, talentos. Deita-me abaixo, deita-me tudo abaixo ultimamente. Aquela sensação de ardor quando alguém segue demasiado os teus conselhos. Torna-se uma cópia de ti, sonha os teus sonhos, vive a tua vida, mente, grita, espera, pensa, chora, sorri, tem ideias geniais, tudo como tu.
« Criei um monstro. »
Porque é isso que eu sou, ás vezes. Podia fazer tanto melhor, ajudar, decidir, amar, alcançar a vitória, a glória. Dar orgulho a quem me interessa dá-lo. Porque há sempre quem minta, porque mais cedo ou mais tarde vai precisar de mim, porque eu conheço esta ou essa pessoa, porque ela conhece aquela ou esta.
O mundo continua cheio de falsidade.
E eu estou dentro dessa percentagem.
Se calhar nem o conheces assim tão bem, e nem te dás ao trabalho de o fazer, talvez pelo medo acentuado que tens pela acompanhante e tenebrosa desilusão.
Ele diz olá com um sorriso na cara, e despede-se também com ele.
Nunca teve a "brilhante" ideia de te envergonhar para se sentir realizado, nem recusou a tua companhia, a tua palavra, a tua ideia, opção, pensamento, amor, amizade, camaradagem, conforto, nunca recusou o teu ombro.
Conheço a sensação. Quando tu dizes a alguém "ele é especial, é um verdadeiro amigo, gosto mesmo dele, nunca me falhou" mas depois acabas por saber que essa tal perfeição em pessoa diz o que não deve e nem tem coragem de to admitir na cara. É desgastante, no mínimo.
E aqui estou eu novamente a escrever sobre coisas sem sentido, a misturar pensamentos no mesmo recipiente usado, usando uma colher já suja.
Esperava tanto mais de mim, sabes? Boas notas, cavalheirismo, certezas, cabelo bonito, pele perfeita, olhos brilhantes, corpo perfeito, talentos. Deita-me abaixo, deita-me tudo abaixo ultimamente. Aquela sensação de ardor quando alguém segue demasiado os teus conselhos. Torna-se uma cópia de ti, sonha os teus sonhos, vive a tua vida, mente, grita, espera, pensa, chora, sorri, tem ideias geniais, tudo como tu.
« Criei um monstro. »
Porque é isso que eu sou, ás vezes. Podia fazer tanto melhor, ajudar, decidir, amar, alcançar a vitória, a glória. Dar orgulho a quem me interessa dá-lo. Porque há sempre quem minta, porque mais cedo ou mais tarde vai precisar de mim, porque eu conheço esta ou essa pessoa, porque ela conhece aquela ou esta.
O mundo continua cheio de falsidade.
E eu estou dentro dessa percentagem.
domingo, 4 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
; frio. ♡
Para mim e para mim só, ginástica é, além de mais, falar com o corpo.
Porque eles dizem que quando não consegues dormir estás acordado no sonho de alguém. O segredo é não reciclares o passado.
E eu cresci tanto por dentro, num espaço tão reduzido; que tudo à minha volta parece ter um segundo sentido descoberto no momento. Aprendi a dar valor ás coisas. Que não preciso de muito para ser feliz e para viver bem.
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