segunda-feira, 12 de março de 2012

; fix it.

Decidi escrever um texto. Estive o resto da tarde a planear como o iria escrever: As palavras saíam fluídas, devido àquela adrenalina de inspiração que suponho que poucos conheçam. Mas os pensamentos, estes, são rápidos demais, porque não precisam de ser falados para serem provados. Então, por segundo, passaram-me mil ideias pela cabeça, filosofei até estar estafada porque o que eu estava de qualquer das maneiras era distraída. Ando assim.
Pensei, Joana, estou desiludida contigo e tu sabes porquê. Resumidamente pelo mesmo de sempre: Cumpro as promessas que faço a toda a gente menos as que faço a mim mesma. E eu que desta vez estava decidida a mudar. Não porque alguém não gosta de mim assim, porque sinceramente não estou minimamente preocupada com isso desde que não seja alguém pelo qual vale a pena mudar, mas porque eu, eu própria, já não gosto de mim. Estou sempre a ceder e sinto-me extremamente inferiorizada, e isso vai crescendo, como células de um vírus, multiplicando-se. A verdade é que eu espero sempre mais do que devo. Arranjo sempre desculpas que na minha cabeça fazem sempre sentido e são sempre suficientes por serem alimentadas pelo vício extremo de ceder. Isso também se passa contigo? É incómodo. Mas eu não posso evitar coisas destas porque é assim que o resto do mundo me faz.
Desculpem a expressão, mas, estou ligeiramente farta da sociedade em geral. Não me levem a mal, não é farta farta, mas levemente farta, como dois quilos de algodão em vez de dois quilos de metal, se é que me entendes. Para chegares ao patamar mais alto da tua vida tens de estudar 12 anos, mais uns quantos da faculdade, para poderes ir trabalhar, se é que não vais para o desemprego, o que, hoje em dia, acontece na maioria dos casos, uma situação desagradável. E para que trabalhas, perguntas-te tu? Para poderes tirar férias. Ou seja, resumindo, trabalhas para não trabalhar. Isto é tudo uma questão de dinheiro. Dinheiro e orgulho. E é por isso que isto está como está. Não só o país, mas como a acima falada sociedade. E como é que ganham o dinheiro? Uma pequena percentagem ganha-o a trabalhar, e o resto ganha-o a enganar o resto das pessoas, a roubar o povo com publicidade, a poluir as suas chamadas mentes ingénuas com os modelos da perfeita vida, que, admitemos, nunca chegará a ser alcançada com mais ou menos creme adelgaçante, com mais ou menos carros, com este ou aquele computador. O problema é que estes enganam outrém para poderem ganhar dinheiro, para poderem tirar as ditas férias, para poderem comprar cremes adelgaçantes, carros e computadores! Estás a seguir?
E eu tenho mentalidade suficiente para encarar essa realidade com o menor esforço porque é assim que isto é, é assim que isto está, e é assim que vai permanecer porque não vai haver nenhum "Super-Herói", nenhum cientista ou político que vá mudar isto assim de um dia para o outro nem pouco mais ou menos: Eu pertenço a esta sociedade, aceito-o apesar de estar contra, e sorrio apesar da raiva.



E por falar em sorrisos, há crianças em todo o mundo que sorriem pela sua tão afortunada sorte de adquirir um caderno e uma caneta.
(Peço-vos, digam-me o que não gostam em mim à minha frente.)

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