Pensei, Joana, estou desiludida contigo e tu sabes porquê. Resumidamente pelo mesmo de sempre: Cumpro as promessas que faço a toda a gente menos as que faço a mim mesma. E eu que desta vez estava decidida a mudar. Não porque alguém não gosta de mim assim, porque sinceramente não estou minimamente preocupada com isso desde que não seja alguém pelo qual vale a pena mudar, mas porque eu, eu própria, já não gosto de mim. Estou sempre a ceder e sinto-me extremamente inferiorizada, e isso vai crescendo, como células de um vírus, multiplicando-se. A verdade é que eu espero sempre mais do que devo. Arranjo sempre desculpas que na minha cabeça fazem sempre sentido e são sempre suficientes por serem alimentadas pelo vício extremo de ceder. Isso também se passa contigo? É incómodo. Mas eu não posso evitar coisas destas porque é assim que o resto do mundo me faz.
Desculpem a expressão, mas, estou ligeiramente farta da sociedade em geral. Não me levem a mal, não é farta farta, mas levemente farta, como dois quilos de algodão em vez de dois quilos de metal, se é que me entendes. Para chegares ao patamar mais alto da tua vida tens de estudar 12 anos, mais uns quantos da faculdade, para poderes ir trabalhar, se é que não vais para o desemprego, o que, hoje em dia, acontece na maioria dos casos, uma situação desagradável. E para que trabalhas, perguntas-te tu? Para poderes tirar férias. Ou seja, resumindo, trabalhas para não trabalhar. Isto é tudo uma questão de dinheiro. Dinheiro e orgulho. E é por isso que isto está como está. Não só o país, mas como a acima falada sociedade. E como é que ganham o dinheiro? Uma pequena percentagem ganha-o a trabalhar, e o resto ganha-o a enganar o resto das pessoas, a roubar o povo com publicidade, a poluir as suas chamadas mentes ingénuas com os modelos da perfeita vida, que, admitemos, nunca chegará a ser alcançada com mais ou menos creme adelgaçante, com mais ou menos carros, com este ou aquele computador. O problema é que estes enganam outrém para poderem ganhar dinheiro, para poderem tirar as ditas férias, para poderem comprar cremes adelgaçantes, carros e computadores! Estás a seguir?
E eu tenho mentalidade suficiente para encarar essa realidade com o menor esforço porque é assim que isto é, é assim que isto está, e é assim que vai permanecer porque não vai haver nenhum "Super-Herói", nenhum cientista ou político que vá mudar isto assim de um dia para o outro nem pouco mais ou menos: Eu pertenço a esta sociedade, aceito-o apesar de estar contra, e sorrio apesar da raiva.
E por falar em sorrisos, há crianças em todo o mundo que sorriem pela sua tão afortunada sorte de adquirir um caderno e uma caneta.
(Peço-vos, digam-me o que não gostam em mim à minha frente.)
(Peço-vos, digam-me o que não gostam em mim à minha frente.)




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