sexta-feira, 22 de junho de 2012

O céu que se deita sobre mim, impávido e sereno, ainda tem uma frescura firme apesar da estação. Estou cansada de noites frias. 
As brisas, essas, compõem canções de embalar que tecem o brilho suave da Lua, todas as noites, e nós nunca estamos lá para apreciar. 
As luzes apagadas do quarto atraem a luz exterior da noite para dentro dele. Da janela aberta, entra um fresco sentimento, um brilho enternecedor, palavras de conforto. Chamam-me para fora.
E fui. Acima de tudo tenho que cuidar de mim mesma. Tenho que proteger o meu corpo e o meu coração, já ambos cheios de cicatrizes. Tenho que molhar a face com gotas transparentes de mágoa, de vez em quando. Tenho que me abraçar com força e falar comigo mesma, tentar compreender-me quando ninguém compreende. Tenho que pensar no presente. Fazer o que me faz bem, o que me faz erguer os cantos da boca, mostrar os dentes tortos sem medo de imperfeições. Tenho que andar de cabelo solto e despenteado, vestígios de lágrimas na cara e pele seca e aperceber-me de quem ainda gosta realmente de mim porque a verdade é que eu gosto na mesma. Eu não quero mais fazer-me mal, porque fui eu quem sempre lá esteve para mim, desde o início. Desde o primeiro suspiro que me protejo e hei de fazê-lo até ao último porque eu também sou importante. Também tenho o direito de estar comigo mesma ás vezes. Tenho o direito a faltar a uma festa porque prefiro ficar a ver as estrelas deitada na relva. Eu tenho o direito a ter sido magoada e recuperar, a ter defeitos, a amar-me incondicionalmente e acima de tudo de todos os que me amam.
Eu sou a Joana Margarido, e vou deitar-me no telhado, tapar-me com uma manta e observar o silêncio.

sábado, 16 de junho de 2012

Adeus macacos.

Vocês nem sequer imaginam o que sinto, o quanto choro por dentro, a amargura que amadurece conforme o tempo passa, a necessidade de um pó de fada encantado repleto de uma cura indispensável.
O drama já desenvolve a erupção vulcânica da minha artéria aorta, a matéria encontra-se cada vez mais decomposta, torna-se escassa a actividade do sono. E atentem no facto do sono ser inevitável.
Os erros enchem-se como palavras insufladas, palavras matreiras e recebidas de uma forma muito intensa, que quase entorna o frasco da fragrância da minha alma vazia. Já dói essa alma de cada lágrima sem respiração.
Parecendo que não, a união serve-me de lição: O meu coração chora sozinho, formando um oceano de suspiros, palavras e emoções fortes.
Vocês nem sequer imaginam como eu vou sentir falta.
Sim, let it be meu amigo. Let it be.

Ao R, ao B, ao M e, principalmente, parecendo que não, ao D.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A bandeira já nem tem cor. O céu está incrivelmente inublado, comparando com as tardes anteriores. Tudo o que era verde, já não passa de plástico. Estúpido plástico.
Eu rodeava-me de crianças pobres, e só agora me apercebi da sua tamanha pobreza a miséria. Mas nada os impedia de ter um sorriso na cara.
E as memórias já magoam muito, no meu coração.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

F.

Se eu sair por aquela porta mais uma vez, antes de mais, perdoa-me.
Estou para aqui a escrever no vácuo sem sequer pensar que um dia tu vai provavelmente deixar-me.
E isso já dá que pensar agora, quanto mais na altura. E eu sei que fazias tudo por mim, mas as coisas não estão diferentes, e eu estou mais pegada a ti do que algum dia poderia vir a estar, a ti ou a outrem. Repito, já não consigo pensar, vens-me tanto à memória. E deixas-me esta raiva, esta raiva transparente de saber que me tens na mão. Vou ser sempre como um peixe num aquário, sempre à espera de ser alimentado por ti, entendes? E eu não sei se isso algum dia vai trazer consequências negativas para a tua vida. Porque eu vou estar sempre à tua espera. E se eu algum dia cometer um erro ou uma idiotice, garanto-te que me vou arrepender profundamente. A vida é previsível de uma maneira irrelevante. Eu vou dar conta que fiz um erro e não vou poder viver mais com isso. É por isso que ainda magoa, e vai sempre magoar.
Amar magoada,
Se calhar já nem sinto nada,
Esperemos que esteja errada
Mas não gosto de ser agarrada.
Sou agarrada a ti meu amor,
E não te quero largar,
Nem quero abdicar.
E eu nunca vou perceber o que nos faz errar:
Se não tiveres a fama já perdes o lugar.
Não é preciso,
Não vais compreender as palavras que digo sem dizer,
Aquelas que só sinto,
Encolhem-se contentes.
Não são palavras erradas
Nem palavras abandonadas,
Não são palavras que mintam
Ou que não sintam.
Talvez esteja enganada
Mas não parece nada.
És bem melhor que marijuana,
Estás aqui hoje
E estás o resto da semana
O amor é lindo mas perigoso,
É bom mas é vaidoso
Mas o que conta é o coração
Nos achamo-nos no escuro,
Nós temos outro tipo de paixão
Contigo ao meu lado
Nada de mim se sente abandonado,
Porque eu vou ficar sempre aqui, eu nunca mais vou sair por aquela porta.