sexta-feira, 1 de junho de 2012

F.

Se eu sair por aquela porta mais uma vez, antes de mais, perdoa-me.
Estou para aqui a escrever no vácuo sem sequer pensar que um dia tu vai provavelmente deixar-me.
E isso já dá que pensar agora, quanto mais na altura. E eu sei que fazias tudo por mim, mas as coisas não estão diferentes, e eu estou mais pegada a ti do que algum dia poderia vir a estar, a ti ou a outrem. Repito, já não consigo pensar, vens-me tanto à memória. E deixas-me esta raiva, esta raiva transparente de saber que me tens na mão. Vou ser sempre como um peixe num aquário, sempre à espera de ser alimentado por ti, entendes? E eu não sei se isso algum dia vai trazer consequências negativas para a tua vida. Porque eu vou estar sempre à tua espera. E se eu algum dia cometer um erro ou uma idiotice, garanto-te que me vou arrepender profundamente. A vida é previsível de uma maneira irrelevante. Eu vou dar conta que fiz um erro e não vou poder viver mais com isso. É por isso que ainda magoa, e vai sempre magoar.
Amar magoada,
Se calhar já nem sinto nada,
Esperemos que esteja errada
Mas não gosto de ser agarrada.
Sou agarrada a ti meu amor,
E não te quero largar,
Nem quero abdicar.
E eu nunca vou perceber o que nos faz errar:
Se não tiveres a fama já perdes o lugar.
Não é preciso,
Não vais compreender as palavras que digo sem dizer,
Aquelas que só sinto,
Encolhem-se contentes.
Não são palavras erradas
Nem palavras abandonadas,
Não são palavras que mintam
Ou que não sintam.
Talvez esteja enganada
Mas não parece nada.
És bem melhor que marijuana,
Estás aqui hoje
E estás o resto da semana
O amor é lindo mas perigoso,
É bom mas é vaidoso
Mas o que conta é o coração
Nos achamo-nos no escuro,
Nós temos outro tipo de paixão
Contigo ao meu lado
Nada de mim se sente abandonado,
Porque eu vou ficar sempre aqui, eu nunca mais vou sair por aquela porta.

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