As brisas, essas, compõem canções de embalar que tecem o brilho suave da Lua, todas as noites, e nós nunca estamos lá para apreciar.
As luzes apagadas do quarto atraem a luz exterior da noite para dentro dele. Da janela aberta, entra um fresco sentimento, um brilho enternecedor, palavras de conforto. Chamam-me para fora.
E fui. Acima de tudo tenho que cuidar de mim mesma. Tenho que proteger o meu corpo e o meu coração, já ambos cheios de cicatrizes. Tenho que molhar a face com gotas transparentes de mágoa, de vez em quando. Tenho que me abraçar com força e falar comigo mesma, tentar compreender-me quando ninguém compreende. Tenho que pensar no presente. Fazer o que me faz bem, o que me faz erguer os cantos da boca, mostrar os dentes tortos sem medo de imperfeições. Tenho que andar de cabelo solto e despenteado, vestígios de lágrimas na cara e pele seca e aperceber-me de quem ainda gosta realmente de mim porque a verdade é que eu gosto na mesma. Eu não quero mais fazer-me mal, porque fui eu quem sempre lá esteve para mim, desde o início. Desde o primeiro suspiro que me protejo e hei de fazê-lo até ao último porque eu também sou importante. Também tenho o direito de estar comigo mesma ás vezes. Tenho o direito a faltar a uma festa porque prefiro ficar a ver as estrelas deitada na relva. Eu tenho o direito a ter sido magoada e recuperar, a ter defeitos, a amar-me incondicionalmente e acima de tudo de todos os que me amam.
Eu sou a Joana Margarido, e vou deitar-me no telhado, tapar-me com uma manta e observar o silêncio.
2 comentários:
Mais um texto fantástico...
Mais um comentário que me forma um sorriso. :)
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