quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A minha voz esgotou-se, a minha ira libertou-se, e a minha paz revoltou-se.
E o ruído tornou-se insuportável.
O passado tornou-se irreversível.
A dúvida tornou-se em insanidade.
A força tornou-se imaginativa.
A vida tornou-se numa ilustração.
O brilho tornou-se inexistente.
(Aos meus olhos)

"Sozinha" entre os meus pensamentos, percebi até a ictiopsofose dos peixes do rio. Era como uma rajada de ar impregnado de todas as forças vivas da natureza. Uma falha impreenchível na minha dúvida. Um pedaço de papel áspero, gasto, mas inescurecível, inescusável, e indispensável.
E as palavras há tanto esquecidas, com elas sonhei. Acordando exaltada mas impávida. Frigidíssima.







Escolhe bem as sementes que decides regar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ele diz que cheiro a amor.

É a primeira vez que me lembro de pensar no mundo e no meu lugar nele. Algumas recordações nunca se esbatem e acho que sei demasiado bem como tudo começou e principalmente como tudo se desenvolveu. Com certeza que no lugar para onde me dirijo, o Futuro, ninguém (jamais!) me pedirá para melhorar o aspecto nem confundirá os meus sonhos com a terrível realidade deles. Será?
A corda, a corda que me aperta, vou senti-la a desprender-se, com medo, e sentirei a liberdade de viver despreocupada novamente.
Quero trabalhar em horto na felicidade, todas as manhãs, sem pensar em absolutamente mais nada. Nem na brisa.
Amanhã vou-me embora novamente, quero ir à praia. Consciência: Pode ser que pare de ouvir os ruídos insuportavelmente assustadores. Ou será que eles me seguem? Afinal, o inimigo, meus amigos, vem de dentro.

"Estou óptimo. Tenho sonhos maus, mas são só sonhos. Entretenho-me com jogos de vídeo. Fumo um pouco de droga. Consegui o meu olhar distante. Carrego muitas cicatrizes. Gosto do som da frase. Carrego muitas cicatrizes."
(A Praia, de Alex Garland)


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Talvez!

Talvez me faça bem, sim, talvez até me faça bem sair daqui. Talvez a dor de cabeça alivie um pouco, talvez a respiração seja mais fresca, lá no Norte. Talvez até fique mais culta, quem sabe, devido aos locais históricos que vou (com muito gosto) visitar. Talvez queira lá ficar só mais um pouquinho, ou talvez queira vir para casa antes do tempo, porque odeio espaços denominados "chiques", e porque ele está longe e talvez eu não aguente essa ideia de distância. Quem sabe, talvez voltarei àquele imenso jardim pensativo, como há um ano atrás... E as conclusões que eu tomei, só eu as soube.
Estou a crescer muito rápido, psicologicamente. Sou criticada pelos mais velhos e estranhamente invejada pelos mais novos. Mas um dos frutos desse crescimento é não deixar que esse tipo de comentários me afectem, pelo contrário, enchem-me de paixão de ser quem sou. Mas ainda sou pequenina, não entendo muitas das palavras complicadas e enigmáticas do livro do papá. Talvez quando crescer chegue a percebê-lo. Ao livro e a ele. Talvez um dia consigamos ter uma conversa.
Quero voltar a ser simples. Vou levar o cabelo atado e uns calções. Não chamar qualquer tipo de atenção. Observar, não ser observada. Eu ligo-te, lá do Norte, meu amor.
Vou fazer a mala, talvez leve a tua camisola, sim?
Bom fim-de-semana.

Falar, escrever, para quê? Não vivemos num tempo em que os verdadeiros heróis estão mudos? Quem poderá vir a responsabilizar os que não se comprometem, os que não protestam, os que não cometem o pecado de arriscar? (...)
 Em (meu) SER (da) NOITE (Diário); de José Duarte Saraiva.