sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Just don't leave

I'll drown my beliefs to have your babies.
I'll dress like your niece and wash your swollen feet.
Your tiny hands, your crazy kitten smile.
And true love waits in haunted attics.
And true love lives on lollipops and crisps.

Sabem lá eles de que se trata a vida. Julgam que se trata de festas e de divertimento, de drogas e de novas sensações. Eles pensam que ter uma boa vida é aproveitá-la como se não fosse acabar nunca. Pois eu penso de outra maneira, acho que os que assim julgam a vida não vivem, passam tempo. Eu acho que uma boa vida é ler um bom livro, ver um bom filme, ter aquela ansiedade para algo sem desgostar daquela sensação de que esse algo já acabou. É um bom dia, apesar desse dia não ser solarengo, apesar de o tal teste não ter corrido bem. Viver, meu caro, viver é mais do que isso, viver é mais do que expectativas alcançadas, é muito mais que expectativas inalcansáveis. É muito mais do que consciência livre, mais do que poder ir áquela festa divertir-me no fim de semana porque a mãe me deixa ficar até mais tarde hoje, só porque... só porque ela pensa que o meu ponto de vista é o mesmo que os deles. Mas não. Não! Eles nem sabem do que a vida se trata. Trata-se de uma gargalhada no meio do vazio, só porque sim, mas uma gargalhada bem dada. Trata-se de um quase trambolhão, de achar algo tão discreto tão lindo, de uma pinga gelada que cai na testa destapada. De não querer escrever todos os momentos aqui para os guardar para mim, de saber que um momento que está a acontecer vai ficar para sempre nas minha memória, e vivê-lo enquanto não se transforma numa, dejá-vus; de chorar um pouco porque se gosta tanto de algo, porque se gosta tanto de alguém. E sabem lá eles como é saber que esse alguém vai embora! Mas saber que nada disso importa, porque o verdadeiro amor espera em sótãos assombrados e em chupa chupas de morango ou de melancia. Sabem lá eles o que é fazer uma piza para almoçar às quatro da tarde, e comer comida de gato só para provar; correr para apanhar o autocarro, colher rosas aos vizinhos, chatear o dálmata só porque fica todo engraçado quando está irritado. Amor é fazeres groselha para mim e dares-me dos teus cereais favoritos, é vestires o pijama só por umas horinhas de sossego em casa comigo, é rires-te de eu me chatear por não arrumares o quarto, é revelares tudo o que tens em ti, todas as perspectivas, todos os aspectos, porque sabes que quanto mais descubro de ti, mais gosto. Eles nem desconfiam da qualidade de tempo que é escondermo-nos debaixo de umas mantas e desarrumarmos a sala toda só para escaparmos mais uns minutinhos à realidade. Sabem lá eles o quão especial é o que nós fazemos. Eles não sabem, e nunca vão saber. Mas nós sabemos, nós e mais uns quantos por aí espalhados que sabem como a vida é uma surpresa agradável de todas as formas. E esses são felizes, tenho a certeza.

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