quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Quando, por exemplo, um gato se vê ao espelho, não atenta na sua aparência, logicamente. A verdade é que se sente ameaçado. O resto é previsível: Pêlo eriçado, postura de tigre. Será ele mais corajoso ou mais temível?

Somos todos jovens. Somos crianças que correram num campo de trigo em direcção a um precipício. A queda é a perda de liberdade, o "tornar-se adulto". Nós somos aqueles que ainda voamos. Lutamos para nos autenticarmos, para marcarmos a vida de outrem.
Então, foi assim que sob os céus azuis suburbanos, me falou suavemente, um pouco como incerto sobre a própria teoria:
"Não podes gostar de tudo em ti, Joana. Mas podes valorizar tudo."- Nisto, acende finalmente o cigarro que balançava nas suas mãos firmes enquanto gesticulava ao falar comigo.- "Encontra alguém que, como eu, valorize tudo em ti. Eu valorizo-te desde os teus pés delicados às pontas claras do teu cabelo selvagem. Valorizo essa cabecinha confusa que tanto pensa. És uma relíquia."
A verdade, pensei eu, é que todos precisamos de uma força nova, persistente, um contrapeso à nossa inútil tendência de fugir à responsabilidade.
E é óbvio que as pessoas vão mais depressa do que vêm. Pelo menos é o que me parece a mim. Mas o que tem que ficar fica connosco. A moral da história, o resumo de todos os jogos de cartas e passeios noturnos. A lição fica. Transforma-se em riqueza, em raridade. O resto são areias adormecidas: a dor, a saudade... No fim são cicatrizes irrelevantes.

Como dizem as pessoas que a mentalidade de alguém não depende do facto de ser reservada?
Eu discordo. Chama-se Escola da Vida. Experiência de Rua.
A vida, caro leitor, é o que acontece enquanto está ocupado a fazer outros planos.

Sem comentários: