terça-feira, 1 de outubro de 2013

sorry officer

Lisboa ensinou-me o que é o carácter. Ensinou-me o contraste entre o prateado do desenvolvimento e o castanho-terrento da pobreza, entre a arte clandestina de rua e os rabiscos de desespero por rebeldia na parede.
Lisboa desenrolou a sua língua e deixou-me dançar sobre ela, mostrando-me que a criatividade não é um mito, relembrando-me dela.
Reencarnou mais um pouco a minha inspiração e fez-me arder o coração. Fez saltar as minhas papilas gustativas. Mostrou-me ideias, riqueza, cultura, a complexidade de algo tão simples como as cegonhas e os edifícios altos. A capital já não é menina nem moça. Falou-me com sabedoria, como uma mulher organizada e atarefada, e não só: Lisboa, de fato e gravata, meias de renda e sapatos de dança. Olhos de água e cabelo solto.
Deixou-me despenteada e de mente histérica das ideias que absorvi em cada lufada de ar e cada golada de... água, água do mar. Deixou-me novamente apaixonada pelo que me rodeia. Apaixonei-me pelo Príncipe Perfeito que rasgava o rio, bravo, inteligente e vaidoso.
E foi lá, num jardim citadino, debruçada sob uma plataforma que comparava a cidade actual com a antiga, que entendi que o que vai não tem de voltar,  porque se já foi, deixa de ser necessário. Não sei se me faço entender.
Porque cada rua conta uma história de algo que foi e deixou de o ser. Explica-me como a perda de uma semente pela ousadia do vento um dia irá dar origem a um novo rebento, longe.
(Pensamento repentino: Tenho a certeza de que há uma mínima percentagem na água do mar que corresponde a lágrimas.)
Lisboa mostrou-me que há tempo para festejar no Bairro Alto, andar num carro a alta velocidade, janelas abertas, música alta e a sensação de que o vento me solta os cabelos energéticos e tempo para visitar o Mosteiro dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém.

1 comentário:

Anónimo disse...

inicio de texto soberbo!