He shitted on everything I loved. He shitted on himself.
Quem diria que foi num dia chuvoso igual ou semelhante o deste de hoje que me apaixonei pela primeira vez. Já foi há uns anos mas sinto que foi ontem. Lembro-me tão bem, não deve haver uma memória tão firme quanto esta, nem uma mais verdadeira. É como se nesse dia me tivesse aleijado e hoje carregasse uma nódoa negra.
Pois as pessoas apaixonam-se no seu mais alto nível de conforto: Na Primavera, estação dos apaixonados, ou no fim de um Verão louco e descomprometido.
Bem, comigo isso não acontece. Apaixono-me maioritariamente quando preciso de calor. É assim que eu distingo as minhas verdadeiras paixões. São confortáveis! Um colo, um abraço, um beijo. São coisas quentes, tal como um chá, ou o conforto de um lar. Portanto, aplicam-se as carícias de acordo com as situações às quais elas pertencem. E não é isto tudo verdade?
Provavelmente ninguém fará ações de acordo com os seus critérios, mas eu prefiro-o desta maneira. Manias.
Não sei se conheço o amor porque sempre pensei que o conhecia e relativamente às situações amorosas que aconteciam no momento, o amor passado parecia-me um mito, uma esponja que absorvera todo o tipo de situações e emoções, menos o amor. Esse parecia-me sempre nulo, menos no momento. E eu não gosto de falar do que não sei.
Porém, sei que, se não conheci o amor, conheci algo muito perto de o ser, algo muito quente. Se esse sentimento foi quente, isso significa que o amor deve ser fervente e insuportável.
Então, visto que todos falam bem do amor, isso significa que ou mentem sobre a sua existência, ou mentem sobre a sua agradabilidade ou ninguém o conhece. Ou então o que outrora sentira talvez fosse mesmo amor. A hipótese E é que talvez as pessoas gostem desse calor abafado, as coitadas. Não sei se me faço entender.
Mas estou muito satisfeita com o sentimento que outrora adquirira, e acho que, pelo menos por agora, esse é o máximo sentimento que quero conhecer, por vários motivos. Sim, tudo tem as suas consequências mas isso é outra história. Não falo de pessoas, falo apenas de sentimentos, embora seja óbvio (e simbólico) que não me "pseudo-amei" a mim mesma logicamente, apesar de gostar de amar (com o tempo lá chegarei).
E eu nem gosto de falar sobre isso mas subitamente pareceu-me um tema deveras interessante, como um relatório científico ou um texto informativo-argumentativo.
O amor é um bolinho acabado de sair do forno com natas por cima. Irresistível. Quando se lambem as natas é como se se lambesse o céu enquanto o sol se põe: impossível e orgásmico, delicioso. Por outro lado, quando se morde o bolinho o sabor é ideal mas a temperatura é demasiado alta e queima o céu da boca. Temos tendência a cuspi-lo e a cuspir-lhe.
A mais dura das verdades é que o beijo mais doce deixa uma ferida no peito.
Metamorfose
Cabeça soldada à infâmia.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Posso dizer-te que me pareceu bastante metafórico.
Talvez seja da minha cabeça. Mas mal abri o armário, o pote de chocolate em pó caiu. Caiu, garanto-te. Foi um intervalo de tempo de aproximadamente um segundo até ao impacto.
Nesse espaço tão curto de tempo, refleti. É estranho como não consigo por vezes chegar a conclusões após horas e horas de raciocínio. Repara no contraste.
Pensei:
"Ainda é uma altura relevante, entre a prateleira de cima e o chão de mármore. (Será de mármore? Parece-me demasiado caro. Talvez seja uma imitação, ou se calha na altura ainda se tinha dinheiro para se gastar num chão.)
Hoje de manhã cheguei à cozinha às 8:20h, atrasada como sempre. Enchi a caneca de leite, juntei duas colheres de sobremesa de chocolate e fiz disso o meu pequeno-almoço nutritivo. Enquanto o leite aquecia no microondas, fechei à pressa o pote, rodando para a esquerda a tampa vermelha. Coloquei-o então na prateleira de cima e encostei a porta do armário, que não fechou exatamente porque o pote o impedia, estando ele numa posição incorreta e instável.
Se tivesse tido atenção a tudo isto, o pote não cairia e eu não estaria numa situação de suspense e a prever o chão de mármore beje, castanho.
Talvez devesse começar a ser responsável, porque os atos têm consequências neles refletidas.
Talvez tenha mesmo de emadurecer e de me tornar uma mulher e aprender que o chão tem que ser varrido."
Assim, lá caiu o pote no chão, rebolando até aos meus pés.
Baixei-me, apoiei-me sobre os joelhos, como que de cócoras, apanhei o pote, e voltei a arrumá-lo.
Tenho 16 anos.
Feliz dia da Alimentação.
Talvez seja da minha cabeça. Mas mal abri o armário, o pote de chocolate em pó caiu. Caiu, garanto-te. Foi um intervalo de tempo de aproximadamente um segundo até ao impacto.
Nesse espaço tão curto de tempo, refleti. É estranho como não consigo por vezes chegar a conclusões após horas e horas de raciocínio. Repara no contraste.
Pensei:
"Ainda é uma altura relevante, entre a prateleira de cima e o chão de mármore. (Será de mármore? Parece-me demasiado caro. Talvez seja uma imitação, ou se calha na altura ainda se tinha dinheiro para se gastar num chão.)
Hoje de manhã cheguei à cozinha às 8:20h, atrasada como sempre. Enchi a caneca de leite, juntei duas colheres de sobremesa de chocolate e fiz disso o meu pequeno-almoço nutritivo. Enquanto o leite aquecia no microondas, fechei à pressa o pote, rodando para a esquerda a tampa vermelha. Coloquei-o então na prateleira de cima e encostei a porta do armário, que não fechou exatamente porque o pote o impedia, estando ele numa posição incorreta e instável.
Se tivesse tido atenção a tudo isto, o pote não cairia e eu não estaria numa situação de suspense e a prever o chão de mármore beje, castanho.
Talvez devesse começar a ser responsável, porque os atos têm consequências neles refletidas.
Talvez tenha mesmo de emadurecer e de me tornar uma mulher e aprender que o chão tem que ser varrido."
Assim, lá caiu o pote no chão, rebolando até aos meus pés.
Baixei-me, apoiei-me sobre os joelhos, como que de cócoras, apanhei o pote, e voltei a arrumá-lo.
Tenho 16 anos.
Feliz dia da Alimentação.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
sorry officer
Lisboa ensinou-me o que é o carácter. Ensinou-me o contraste entre o prateado do desenvolvimento e o castanho-terrento da pobreza, entre a arte clandestina de rua e os rabiscos de desespero por rebeldia na parede.
Lisboa desenrolou a sua língua e deixou-me dançar sobre ela, mostrando-me que a criatividade não é um mito, relembrando-me dela.
Reencarnou mais um pouco a minha inspiração e fez-me arder o coração. Fez saltar as minhas papilas gustativas. Mostrou-me ideias, riqueza, cultura, a complexidade de algo tão simples como as cegonhas e os edifícios altos. A capital já não é menina nem moça. Falou-me com sabedoria, como uma mulher organizada e atarefada, e não só: Lisboa, de fato e gravata, meias de renda e sapatos de dança. Olhos de água e cabelo solto.
Deixou-me despenteada e de mente histérica das ideias que absorvi em cada lufada de ar e cada golada de... água, água do mar. Deixou-me novamente apaixonada pelo que me rodeia. Apaixonei-me pelo Príncipe Perfeito que rasgava o rio, bravo, inteligente e vaidoso.
E foi lá, num jardim citadino, debruçada sob uma plataforma que comparava a cidade actual com a antiga, que entendi que o que vai não tem de voltar, porque se já foi, deixa de ser necessário. Não sei se me faço entender.
Porque cada rua conta uma história de algo que foi e deixou de o ser. Explica-me como a perda de uma semente pela ousadia do vento um dia irá dar origem a um novo rebento, longe.
(Pensamento repentino: Tenho a certeza de que há uma mínima percentagem na água do mar que corresponde a lágrimas.)
Lisboa mostrou-me que há tempo para festejar no Bairro Alto, andar num carro a alta velocidade, janelas abertas, música alta e a sensação de que o vento me solta os cabelos energéticos e tempo para visitar o Mosteiro dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém.
Lisboa desenrolou a sua língua e deixou-me dançar sobre ela, mostrando-me que a criatividade não é um mito, relembrando-me dela.
Reencarnou mais um pouco a minha inspiração e fez-me arder o coração. Fez saltar as minhas papilas gustativas. Mostrou-me ideias, riqueza, cultura, a complexidade de algo tão simples como as cegonhas e os edifícios altos. A capital já não é menina nem moça. Falou-me com sabedoria, como uma mulher organizada e atarefada, e não só: Lisboa, de fato e gravata, meias de renda e sapatos de dança. Olhos de água e cabelo solto.
Deixou-me despenteada e de mente histérica das ideias que absorvi em cada lufada de ar e cada golada de... água, água do mar. Deixou-me novamente apaixonada pelo que me rodeia. Apaixonei-me pelo Príncipe Perfeito que rasgava o rio, bravo, inteligente e vaidoso.
E foi lá, num jardim citadino, debruçada sob uma plataforma que comparava a cidade actual com a antiga, que entendi que o que vai não tem de voltar, porque se já foi, deixa de ser necessário. Não sei se me faço entender.
Porque cada rua conta uma história de algo que foi e deixou de o ser. Explica-me como a perda de uma semente pela ousadia do vento um dia irá dar origem a um novo rebento, longe.
(Pensamento repentino: Tenho a certeza de que há uma mínima percentagem na água do mar que corresponde a lágrimas.)
Lisboa mostrou-me que há tempo para festejar no Bairro Alto, andar num carro a alta velocidade, janelas abertas, música alta e a sensação de que o vento me solta os cabelos energéticos e tempo para visitar o Mosteiro dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Quando, por exemplo, um gato se vê ao espelho, não atenta na sua aparência, logicamente. A verdade é que se sente ameaçado. O resto é previsível: Pêlo eriçado, postura de tigre. Será ele mais corajoso ou mais temível?
Somos todos jovens. Somos crianças que correram num campo de trigo em direcção a um precipício. A queda é a perda de liberdade, o "tornar-se adulto". Nós somos aqueles que ainda voamos. Lutamos para nos autenticarmos, para marcarmos a vida de outrem.
Então, foi assim que sob os céus azuis suburbanos, me falou suavemente, um pouco como incerto sobre a própria teoria:
"Não podes gostar de tudo em ti, Joana. Mas podes valorizar tudo."- Nisto, acende finalmente o cigarro que balançava nas suas mãos firmes enquanto gesticulava ao falar comigo.- "Encontra alguém que, como eu, valorize tudo em ti. Eu valorizo-te desde os teus pés delicados às pontas claras do teu cabelo selvagem. Valorizo essa cabecinha confusa que tanto pensa. És uma relíquia."
A verdade, pensei eu, é que todos precisamos de uma força nova, persistente, um contrapeso à nossa inútil tendência de fugir à responsabilidade.
E é óbvio que as pessoas vão mais depressa do que vêm. Pelo menos é o que me parece a mim. Mas o que tem que ficar fica connosco. A moral da história, o resumo de todos os jogos de cartas e passeios noturnos. A lição fica. Transforma-se em riqueza, em raridade. O resto são areias adormecidas: a dor, a saudade... No fim são cicatrizes irrelevantes.
Como dizem as pessoas que a mentalidade de alguém não depende do facto de ser reservada?
Eu discordo. Chama-se Escola da Vida. Experiência de Rua.
A vida, caro leitor, é o que acontece enquanto está ocupado a fazer outros planos.
Somos todos jovens. Somos crianças que correram num campo de trigo em direcção a um precipício. A queda é a perda de liberdade, o "tornar-se adulto". Nós somos aqueles que ainda voamos. Lutamos para nos autenticarmos, para marcarmos a vida de outrem.
Então, foi assim que sob os céus azuis suburbanos, me falou suavemente, um pouco como incerto sobre a própria teoria:
"Não podes gostar de tudo em ti, Joana. Mas podes valorizar tudo."- Nisto, acende finalmente o cigarro que balançava nas suas mãos firmes enquanto gesticulava ao falar comigo.- "Encontra alguém que, como eu, valorize tudo em ti. Eu valorizo-te desde os teus pés delicados às pontas claras do teu cabelo selvagem. Valorizo essa cabecinha confusa que tanto pensa. És uma relíquia."
A verdade, pensei eu, é que todos precisamos de uma força nova, persistente, um contrapeso à nossa inútil tendência de fugir à responsabilidade.
E é óbvio que as pessoas vão mais depressa do que vêm. Pelo menos é o que me parece a mim. Mas o que tem que ficar fica connosco. A moral da história, o resumo de todos os jogos de cartas e passeios noturnos. A lição fica. Transforma-se em riqueza, em raridade. O resto são areias adormecidas: a dor, a saudade... No fim são cicatrizes irrelevantes.
Como dizem as pessoas que a mentalidade de alguém não depende do facto de ser reservada?
Eu discordo. Chama-se Escola da Vida. Experiência de Rua.
A vida, caro leitor, é o que acontece enquanto está ocupado a fazer outros planos.
domingo, 4 de agosto de 2013
Pensamentos embriagados.
"O mundo avança.
É verdade, disse eu, avança mas dando voltas em torno do Sol."
Gostava de o ver com os mesmos olhos, mais uma vez. Se foi uma ilusão ou não eu não sei, mas foi demasiado bom para ser ignorado. Gostava de ver o "mundo" assim, novamente, nem que fosse clandestinamente. Mas até o vento precisa de tempo.
Gostava de conseguir vir a compreender o que se passa naquela mente de menta e chocolate.
Dormir, mais uma vez, naquele ninho de ternura acolhedora e respirações leves e mornas. Adormecer à melodia dos sabores. E saberia tão bem.
Sabes quantas palavras escrevi com a lágrima presa no queixo? Quantas vezes recitei com o coração desleixado? E eu que, antes de o ter, não percebia o que era um coração despedaçado.
A deixa do Rei, porém, nunca foi ignorada.
O canto da Amália nunca foi recusado.
Mas eu nunca lutei directamente. Apesar de sempre me doer e sempre me deixar doente. Toda esta história me sabe a podridão. O pássaro amarelo diz sempre que não. Mas não sorri.
Como eu amo, como eu proclamo, como eu reclamo, como eu saúdo? Dói-me, mais que tudo. Arde-me no meio do peito, no meio do cristo. Faz-me pensar que não existo. Mas a existência é mais do que essa carência.
E tu existes em mim, inacreditavelmente.
Todo o mundo magoa, perdoa, descansa. Todo o mundo quer a aliança. Todo o mundo pretende ficar com a herança.
E não a tem. Porque quem tem esquece, aquece, deseja. E quem deseja tem. Quem tem proclama. Assim, reclama. Estou a ser confusa? Perdoa-me.
E choro no jardim, ligeiramente enfeitiçada pelo cheiro a jasmim, um odor a hortelã, e o desejo de, finalmente, só acordar pela manhã.
Deixa-me abalada como sempre fizeste, mas ajuda-me a ter uma vingança decente.
É verdade, disse eu, avança mas dando voltas em torno do Sol."
Gostava de o ver com os mesmos olhos, mais uma vez. Se foi uma ilusão ou não eu não sei, mas foi demasiado bom para ser ignorado. Gostava de ver o "mundo" assim, novamente, nem que fosse clandestinamente. Mas até o vento precisa de tempo.
Gostava de conseguir vir a compreender o que se passa naquela mente de menta e chocolate.
Dormir, mais uma vez, naquele ninho de ternura acolhedora e respirações leves e mornas. Adormecer à melodia dos sabores. E saberia tão bem.
Sabes quantas palavras escrevi com a lágrima presa no queixo? Quantas vezes recitei com o coração desleixado? E eu que, antes de o ter, não percebia o que era um coração despedaçado.
A deixa do Rei, porém, nunca foi ignorada.
O canto da Amália nunca foi recusado.
Mas eu nunca lutei directamente. Apesar de sempre me doer e sempre me deixar doente. Toda esta história me sabe a podridão. O pássaro amarelo diz sempre que não. Mas não sorri.
Como eu amo, como eu proclamo, como eu reclamo, como eu saúdo? Dói-me, mais que tudo. Arde-me no meio do peito, no meio do cristo. Faz-me pensar que não existo. Mas a existência é mais do que essa carência.
E tu existes em mim, inacreditavelmente.
Todo o mundo magoa, perdoa, descansa. Todo o mundo quer a aliança. Todo o mundo pretende ficar com a herança.
E não a tem. Porque quem tem esquece, aquece, deseja. E quem deseja tem. Quem tem proclama. Assim, reclama. Estou a ser confusa? Perdoa-me.
E choro no jardim, ligeiramente enfeitiçada pelo cheiro a jasmim, um odor a hortelã, e o desejo de, finalmente, só acordar pela manhã.
Deixa-me abalada como sempre fizeste, mas ajuda-me a ter uma vingança decente.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
I don't wanna wait
Quando procurei um trevo com quatro folhas não o encontrei. Procurei bem a tão desejada sorte em todos os cantos, recantos e encantos do jardim outrora florescido. Milhares eu encontrei: milhares vulgares. A vulgaridade ataca sempre em grande número. Os especiais são ostracizados e escondidos pela media. Escondidos atrás do papel, porém, por ele reluzentes. Quase abandonei o jardim nesse dia. Sem qualquer mágoa, apenas frustração.
"Logo te conto uma história, Joana."
E tantas histórias esconde o meu jardim. Histórias mais escondidas do que o trevo. Escondidas à sombra do Acer, talvez. Escondidas na ausência de melancolia e do baloiço colorido onde gastei horas e horas da minha eterna vida. E chegava-me.
Varreu-se-me a inspiração, voltou para o túmulo por um segundo. Segurei o mundo com as mãos e puxei-o violentamente. Deixei de procurar a maldita sorte. Quando acabei, só observei a maneira como a relva me caía das mãos. À primeira das mais simples vistas, lá estava o trevo de quatro folhas, intacto. Impávido e sereno, sarcástico. Satisfeito.
Não o colhi.
Qual é o lutador que precisa de sorte?
"Logo te conto uma história, Joana."
E tantas histórias esconde o meu jardim. Histórias mais escondidas do que o trevo. Escondidas à sombra do Acer, talvez. Escondidas na ausência de melancolia e do baloiço colorido onde gastei horas e horas da minha eterna vida. E chegava-me.
Varreu-se-me a inspiração, voltou para o túmulo por um segundo. Segurei o mundo com as mãos e puxei-o violentamente. Deixei de procurar a maldita sorte. Quando acabei, só observei a maneira como a relva me caía das mãos. À primeira das mais simples vistas, lá estava o trevo de quatro folhas, intacto. Impávido e sereno, sarcástico. Satisfeito.
Não o colhi.
Qual é o lutador que precisa de sorte?
domingo, 23 de junho de 2013
Como se tivesse o direito, como se alguém tivesse o direito!- Replicou Samuel.- As pessoas nunca têm o direito, mas sempre agem e sempre se queixam de outrem não o ter. Porque os pássaros também morrem, Julieta. Morrem porque as flores já não desabrocham e o oceano deixou de ser melancólico. Mas como se eles, os outros, se importassem: Para eles tudo isso são dores secundárias. Quem por elas sofre e por elas reflecte são os poetas, os poetas Julieta, porque eles não julgam, só entendem. Como se de uma gota de mel se tratasse. Algo que aparenta ser tão simples, tão fácil, tão agradável, tão doce, mas que esconde uma complexidade quase incompreensível. E que a vida está cheia de momentos de impacto está, Julieta. Está porque quando deles te recordas ainda ouves a música de fundo na qual pensaste no momento. De olhos vidrados, sabes?
E o que são os momentos sem pessoas? O que são as pessoas sem os momentos? Sem histórias? São o vazio. E como nós agimos mal ao longo da vida... isso nunca ninguém entende por completo. Mas alegra-me pensar que o fazemos por alguma reacção sem ser a de impulso. Gosto de pensar que algo dentro de nós decide fazê-lo porque sabe que tem que o fazer. Não para aprendermos uma lição, como se diz. Algo maior. Mais diabólico. Mais angelical, quem sabe. Algo mais forte que isso.
Agora vai pentear esses caracóis castanhos, Julieta, e vai-te. Vai pela porta ou pela janela. Vai pelo telhado, se o quiseres. O que importam as consequências quando se é destemido?
E o que são os momentos sem pessoas? O que são as pessoas sem os momentos? Sem histórias? São o vazio. E como nós agimos mal ao longo da vida... isso nunca ninguém entende por completo. Mas alegra-me pensar que o fazemos por alguma reacção sem ser a de impulso. Gosto de pensar que algo dentro de nós decide fazê-lo porque sabe que tem que o fazer. Não para aprendermos uma lição, como se diz. Algo maior. Mais diabólico. Mais angelical, quem sabe. Algo mais forte que isso.
Agora vai pentear esses caracóis castanhos, Julieta, e vai-te. Vai pela porta ou pela janela. Vai pelo telhado, se o quiseres. O que importam as consequências quando se é destemido?
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