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| quero ternura. |
Sempre a mesma rotina, sempre o mesmo ardor nos lábios, o mesmo sangue vivo, o mesmo perfume, o mesmo coração, a mesma alma, a mesma decisão; a mesma decisão de sempre.
É sempre o mesmo grito interior, sempre a mesma pessoa, a mesma falta, o mesmo espírito, o mesmo olhar, o mesmo brilho abafado, a mesma respiração, a mesma emoção, o mesmo sentimento todos os milésimos, todos os centésimos, todos os segundos, todos os minutos, todas as horas, todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos, todas estas manhãs em que acordo igual.
Será assim tão simples ? É a isto ao que se resume a vida ? A decisões que se vão com o pó, com os restos de pensamento, com as memórias, com o que ás vezes é essencial, que se esvaneçe com a noite ? É isto ? É a alma a evaporar para os sonhos ? Ou só se pode viver de noite ? Para vivermos temos que passar a vida acordados ? Temos que ter medo do escuro ? Temos que ter medo das criaturas que nos assombram os sonhos ?
E se, o que se apagasse da nossa mente fosse o outro lado ? A mentira, a consciência pesada ? O arrependimento, as más memórias, a tristeza, a mágoa ? O pesadelo ?
Não, não temos que ter medo de dormir. Da noite, do mistério, do escuro. Das estrelas. Não temos que ter medo do sonho. Porque o sonho, é a única coisa que me mantém viva, agora. É a única razão do porquê a minha luzinha interior, a minha luzinha de fada, ainda estar acesa.
Mas ultimamente, tudo mudou. Deixei de me lembrar dos meus sonhos. Deixei de acordar fresca e alegre. Deixei de ver o Sol, mesmo ele estando lá. Não, não estou triste. Simplesmente não me encontro. Não encontro o meu interior. Já não sei da minha personalidade, perdi-a. Agora, sou apenas mais uma pessoa no mundo, sabe-se lá, no Universo. Sou um átomo de oxigénio, dos tantos que há. Agora, já não encontro aquele pouco de mim que eu amava. Aquele pouco que sonhava acordado. Que acreditava em tudo, que sabia, SABIA, que um dia, ía mudar o mundo, ou salvar uma vida. Aquele pedacinho de mim que insistia o quanto eu era diferente e especial, aquele pedacinho de mim, que era como um pirilampo, um pirilampo no meio da escuridão. Um pirilampo que iluminava o pesadelo.
A partir de hoje, vou seguir os meus instintos.

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