Normalmente, as cicatrizes não doem. São apenas marcas de momentos (bons ou maus) queimados. Mas esta cicatriz é diferente. É sentimental. Dói. Uma cicatriz sentimental, já ouviste falar ? Eu já. Mas nunca pensei que fosse tão real como a relatam em filmes, e em textos lamechas. Este, é mais um desses. Mais um texto lamechas sobre a minha própria cicatriz sentimental, a minha primeira. Que orgulho. Sempre era melhor que não doesse, mas olha, é a vida. Nem todas as escolhas que fazemos são seguidas com a melhor intenção. Acontece.O que eu sei é que não me apetece. Não me apetece reviver isto. Que fique bem claro, eu não te amo. Eu adoro-te. Eu adoro-te e tu adoras-me. Será real ? Não se vai saber tão cedo. Mas também não quero saber.
De facto, aquelas grades, aquelas grades ferrugentas, podres, velhas, eram fracas. Eram fracas mas suportaram-nos. Eram fortes o suficiente para aguentar connosco. Mas nós não nos aguentámos um ao outro, não nos suportámos. A verdade é que nos amámos, sim. Mas não suportámos que fosse tudo tão perfeito. E isso correu naturalmente. Talvez destino. Ou apenas azar. Separação, é normal. Correu como um rio manso, mas com correntes fortes. As correntes prenderam-nos. E com toda a força que fizemos, cada um para seu lado, as correntes, muito fortes do nosso amor, rebentaram-se. Partiram-se, morreram. As correntes da alma, do sentimento, do espírito, do amor, dos momentos, todas se romperam. Sobrou apenas uma, cuja força era determinada a não nos deixar nunca. Nunca saberemos exactamente que corrente é essa, mas a verdade é que nos atrai. Atrai os nossos olhares, de vez em quando. E no fundo, faz com que o nosso coração nunca esqueça. Não podemos acabar com essa corrente, sabes ? Ela está para além da nossa força, para além dos nossos olhos. Sabemos tudo sobre ela, mas não a percebemos, só nos percebemos um ao outro. Acontece. E jamais essa corrente vai ser destruída, jamais. Será por mal ? Será por bem ? O sentimento é mutuo. E as lágrimas evaporaram da nossa mente.
Agora, resume-se aos nossos corações.
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