domingo, 16 de dezembro de 2012

That feeling?

Sabes quando choras e os teus lábios formam pequenas fissuras, ferimentos? Eles só te pedem para falares. Mas a verdade é que tu simplesmente voltas a humedecê-los. Não é que não possas falar, mas tu não queres, ou não deves. E porquê chorar pelo passado se ninguém faz para mudar o presente ou o futuro? Porque ninguém sabe pelo que tu passaste, ninguém percebe a maneira como lidaste com isso. Ninguém se lembra das insónias, das olheiras. Ninguém sabe sequer o que tu sabes e o porquê de o saberes. Mas as costas já te pedem descanso das noites mal dormidas. Carregas agora 4500 kg em cima dos ombros e 23424 km nas pernas. Cresces com isso, mas, e toda a delicadeza que sobrava? Desobedecera e fugira, não se sabe bem para onde, deixando assim a mágoa, a saudade, e a confusão que resta habitar os caminhos por mim percorridos. Isso e a falta de palavras.
Sempre invejo aqueles que mantêm esperança.
Foi na praia que lhe contei, que contei o que mais me aprisiona, pela primeira vez, a alguém. Algo que não devia contar nunca, principalmente. Contei-lhe ali, talvez, porque ao pé do mar as minhas lágrimas parecessem pequenas. E foi num silêncio cómodo e num olhar enternecedor que ele me envolveu nos seus braços, como se me dissesse tudo o que queria ouvir, tudo o que me salvava. E foi nesse dia que percebi que o meu lugar é com ele.

Eles escrevem sobre poeira e meras coisas. Sobre objetos metafóricos, uma visão prespetiva das marés congeladas, do orvalho matinal. E dos guarda-chuvas abertos, dos guarda-chuvas estragados. Até do ouro apanhado do rio, de pés descalços e gélidos. Do quotidiano do que é regular.

Nós retratamos o resto. Retratamos o intragável e o inoportuno, e fazêmo-lo de uma maneira tão melodiosa como a própria sinfonia do amor. Calma mas apressada, suave mas oscilante, em tons de magenta, prateado, verde-claro e bordeaux. E tudo sabe a fantasia, tudo tem um travo especial ou uma gargalhada maliciosa; maliciosa naquele bom sentido, num contexto de ternura.

E depois veem as noites, como se nada pudesse ser mais perfeito que a mera ocasião, as noites repletas de música e memórias com uma essência a canela, e uma profundidade tão grande de sentimento, uma explosão tão agressiva de pensamentos, um ardor tão exaustivo, tão emocionante, que toca qualquer um.

E tudo se torna diferente por te saber decor. Por conhecer cada traço desse corpo, por conhecer tão bem esse cabelo escuro, essas pestanas, esses braços confortantes, essa barriga apetecível. Por reconhecer qualquer parte de ti numa multidão. Por chorar de saudades quando tenho perfeita noção que passaram uma ou duas horas desde que te vi pela última vez, por não suportar não estar contigo; porque qualquer hora sem ti é uma hora perdida!
Porque tu nem imaginas o feliz que sou contigo.

domingo, 11 de novembro de 2012

Creepy

A andorinha de espuma decidiu acordar, e lambeu as pálpebras salgadas e semicerradas.

A princesa chegou a casa atrasada, mas em vez de perder o sapato, perdeu a cabeça. Arrancou cabelos. Tirou cada traço de falsidade que permanecia em si. Pensou. E este mundo de mentiras continua contra mim, a pobreza de cada coração pede descontos, cada traço de ternura espalhada e dividida num baralhos de cartas.
Ela fartou-se de vez. Tirou o gato do armário e calçou umas sapatilhas. Descoseu os lábios e praguejou à frente da família. Não se arrependeu. Roubou, e rasgou os cadernos. Arrancou todas as rosas do jardim e rebolou na terra húmida. Não teve medo. Partiu os quadros e riscou os retratos distribuídos pelas paredes do quarto. Partiu o gelo do lago e mergulhou, pintou o cabelo e bebeu vodka até de manhã.
Overdose. Nasceu feliz, morreu feliz, nasceu feliz de novo. Roubou um tigre no Zoo e fugiu à polícia. Não chorou. Acordou, calçou os sapatos, pôs os óculos. Bebeu um copo de leite e foi para a escola. Afinal, o mundo é um grande filho da mãe.
Porque há sempre um beijo por dar. Um sorriso por provocar. Um fantasma por descobrir, talvez. Uma rosa por oferecer. Um chocolate por comer. Uma palavra por revelar. Há sempre uma porra de um segredo por desvendar. A parede compacta-se, a tinta estala. Instala-se o ardor. Sem sequer respirar. Claustrofobia? Não.
A campainha toca mas a água já corre há horas. Deita-te. A água gelada corrói as articulações mais velhas. Água impávida e serena, como ela. O sol entra pela brecha da janela e ilumina-lhe o rosto. Seca-lhe os olhos até serem pó. Já não tens 5 anos. Disseram-te que eras crescida. A água torna-se gasolina. Dela, fede um ardor tóxico, uma memória intocável, uma fragrância mortal. A televisão desliga-se, os comprimidos flutuam. Há sempre um grito por dar.
E a chuva cai, inundado a chave que abre a porta aos teus olhos.

Faz o que te vai na alma.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sobre o geral.

O meu conselho vai sempre ser "toma a decisão que quiseres, porque de qualquer maneira vais arrepender-te."
Em quase todas as histórias existe uma personagem principal, certo? E se eu não quiser que o meu pequeno texto relate a vida de alguém, mas sim de todos nós? Começo por dizer que o medo é só aquele monstro debaixo da cama que tanto temíamos, o imaginário.
Sociedade: Nós cantamos, nós gritamos, nós pecamos, nós sonhamos, nós sorrimos, nós lutamos, nós pensamos, nós agimos, nós festejamos, nós representamos, nós argumentamos, nós evocamos, nós ouvimos, nós educamos sem ser educados, nós planeamos, nós ajudamos, nós reivindicamos, nós damos, mas não recebemos.
Não, meus amigos. Não nos faltam células: Faltam-nos motivos para as usar. Não nos faltam armas: Faltam-nos licenças para matar. Não nos faltam hábitos: Faltam-nos ocasiões para os alimentar. Nem sequer nos faltam cenários.
Sim, eles semeiam sem saber o que crescerá. Nascem pregos, e nós andamos descalços."Não sou esperto nem bruto, nem bem nem mal educado, sou simplesmente o produto do meio em que fui criado."
Quem és tu para criticar alguém que também já foi magoado? Alguém que é como é para própria protecção? Que foi educado a estudar, a trabalhar, a mostrar o padrão da pele e o sorriso, impressionar, mas ignorar o sentimento, seja ele ou não recíproco? Ignorar "incompetências" como viver, viver bem, viver à grande. A liberdade, a felicidade, o "ser selvagem", o aproveitar a juventude, viajar. Não. Eu fui educada a ficar em casa. Sozinha. Construir o meu reino sem sair de lá. Porque lá fora tudo é perigoso.
É tudo um mar de mentiras, minha gente, abraços com segundas intenções. Demasiada intelectualidade, diminutos valores existenciais, que, por norma, são os mais importantes. De que me serve ser um poço de cultura se essa cultura não me trará felicidade?
Acham que a vida é um sonho individual, e só acordam quando morrem. Acordam tarde demais.
Mas eu não sou alguém definido pela genética.
Passando à frente, um triângulo é uma ideia. Más ideias levam a guerras, e tudo o que acontece deve-se a alguma coisa, toda a gente sabe.
Um efeito causa um efeito, e esse efeito por sua vez causa outro efeito, e assim desencadeiam a uma série de efeitos, positivos ou negativos, estou certa?
A pergunta, porém, permanecerá sempre o "porquê".
Quando uma pessoa ama outra, não consegue racionalizar normalmente: As decisões nunca são racionais, são emocionais. Quem ama, não vê.
Por falar em amor, é ele que me agarra pelos calcanhares, como foi feito com Aquiles.
E hoje acabo por aqui.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tu, sim, tu que estás a ler. Pára para reflectir.
Não é por não a aproveitares que a vida não continua. O tempo não pára. Se existe algo impossível é o tempo parar, está bem?
Pára. Recomeça. Enjoy.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Filósofos.

O que reti da aula dele?
De cabelo grisalho e olhos esbugalhados detrás dos óculos cujas lentes estão muito limpas; sinais de calvície e sobrancelhas volumosas, mãos cobertas de pelos e unhas rentes, dentes amarelados e veias salientes.
Camisa ás riscas entalada nas calças de ganga vincadas, numa tentativa de rejuvenescer. Tem rugas profundas nos olhos, quando ri, mas não o evita. Nariz bicudo, lábios pouco desenhados.
Carrega nos s's, pronúncia da (s)Serra da Estrela.
Sarcástico.
Sereno.
Sábio, talvez.
Impávido.
Obcecado por um certo tipo de arrumação.
Defende que a individualidade é sagrada.
Acredita que uma bomba atómica pode servir de pisa-papeis.
Somos todos diferentes.

domingo, 16 de setembro de 2012

O que se passa, o que se passa convosco pessoas?
Só se interessam em atenções, vestidos nos vossos smokings e nos vossos vestidos de baile. Rodeados de luzes brilhantes, com as malinhas de mão recheadas de dinheiro. Mal ganho e mal gasto, na maioria dos casos.
"Perdoe-me que vou usar os lavabos." E elas retocam o batom e eles endireitam as gravatas. Elas endireitam desconfortavelmente o peito e eles alisam a camisa. Elas compõem o cabelo, tal como eles. E saem com o sorriso mais triste, mais comprado, mais desesperado que há.
Bebem o seu Martini e vão para casa acompanhados. Acordam sozinhos.

Um dia vão perceber que perceberam tarde.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Boneca remendada?

Já não sei de nada.
Por alguma razão perdi o apetite habitual:
Já não quero sair até tarde, já não quero ir a festas. Já não quero usar sapatos altos nem dançar. (Será que o fazia à procura dele?)
Fui alertada. Será que cresci ou será que me tornei significativamente mais infantil?
Porque ando cansada? Porque ando nervosa? Porque ando vidrada? Porque ando desinteressada, desinteressante? Porque é que já não desejam a minha companhia? Será que fui deixada?
Hoje sinto-me um cachorro. Um cachorro que cresceu sem dar conta, cujos donos enfiaram à força na mala do carro. Guiaram sempre em frente e deixaram-me longe. Nunca mais me virão buscar. Nunca mais vou ter diamantes em lugar dos olhos.
Perdi-me e não me consigo encontrar.
Não se pode agradar sempre a toda a gente.

domingo, 9 de setembro de 2012

Diariuh d umah apaixunadah xd s2

Mas é claro que há aqueles assuntos que são sempre falados, inevitavelmente, sem sequer se notar, ás vezes.
O amor, por exemplo. Tu esgotas-mo! Usas todas as doses diárias que tenho dele, e fazes-me dormir bem para na manhã seguinte ainda ter amor fresquinho para te oferecer, tal como no dia anterior, e no que se segue. É isso que tu me fazes. És um "love-addicted" e eu adoro, talvez porque também sou. (Mas só pelo teu.)
Mas eu adoro ser só tua. Adoro mirar-te atentamente e abraçar-te enquanto dormes. Chatear-te também. Morder-te. Beijar-te. Brincar contigo. Fazer loucuras. Os teus olhares, os teus abraços, os teus amuos, tudo.
Já viste? Parece uma declaração de uma pitinha. Deixei o pouco jeito para escrever no quarto e vim para a biblioteca com toda a determinação que cá encontrei. Palavras simples, que digam tudo, sabes?
Eu amo-te. Eu amo-te! Eu amo-te muito! Eu amo-te mesmo muito! Eu amo-te mesmo muito, Francisco! E neste mundo só há uma coisa pela qual sinto receio: Tu deixares-me.
Não o faças amor.
«Agora entendo porque o tempo está nublado: O céu está todo nos teus olhos.»

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A minha voz esgotou-se, a minha ira libertou-se, e a minha paz revoltou-se.
E o ruído tornou-se insuportável.
O passado tornou-se irreversível.
A dúvida tornou-se em insanidade.
A força tornou-se imaginativa.
A vida tornou-se numa ilustração.
O brilho tornou-se inexistente.
(Aos meus olhos)

"Sozinha" entre os meus pensamentos, percebi até a ictiopsofose dos peixes do rio. Era como uma rajada de ar impregnado de todas as forças vivas da natureza. Uma falha impreenchível na minha dúvida. Um pedaço de papel áspero, gasto, mas inescurecível, inescusável, e indispensável.
E as palavras há tanto esquecidas, com elas sonhei. Acordando exaltada mas impávida. Frigidíssima.







Escolhe bem as sementes que decides regar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ele diz que cheiro a amor.

É a primeira vez que me lembro de pensar no mundo e no meu lugar nele. Algumas recordações nunca se esbatem e acho que sei demasiado bem como tudo começou e principalmente como tudo se desenvolveu. Com certeza que no lugar para onde me dirijo, o Futuro, ninguém (jamais!) me pedirá para melhorar o aspecto nem confundirá os meus sonhos com a terrível realidade deles. Será?
A corda, a corda que me aperta, vou senti-la a desprender-se, com medo, e sentirei a liberdade de viver despreocupada novamente.
Quero trabalhar em horto na felicidade, todas as manhãs, sem pensar em absolutamente mais nada. Nem na brisa.
Amanhã vou-me embora novamente, quero ir à praia. Consciência: Pode ser que pare de ouvir os ruídos insuportavelmente assustadores. Ou será que eles me seguem? Afinal, o inimigo, meus amigos, vem de dentro.

"Estou óptimo. Tenho sonhos maus, mas são só sonhos. Entretenho-me com jogos de vídeo. Fumo um pouco de droga. Consegui o meu olhar distante. Carrego muitas cicatrizes. Gosto do som da frase. Carrego muitas cicatrizes."
(A Praia, de Alex Garland)


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Talvez!

Talvez me faça bem, sim, talvez até me faça bem sair daqui. Talvez a dor de cabeça alivie um pouco, talvez a respiração seja mais fresca, lá no Norte. Talvez até fique mais culta, quem sabe, devido aos locais históricos que vou (com muito gosto) visitar. Talvez queira lá ficar só mais um pouquinho, ou talvez queira vir para casa antes do tempo, porque odeio espaços denominados "chiques", e porque ele está longe e talvez eu não aguente essa ideia de distância. Quem sabe, talvez voltarei àquele imenso jardim pensativo, como há um ano atrás... E as conclusões que eu tomei, só eu as soube.
Estou a crescer muito rápido, psicologicamente. Sou criticada pelos mais velhos e estranhamente invejada pelos mais novos. Mas um dos frutos desse crescimento é não deixar que esse tipo de comentários me afectem, pelo contrário, enchem-me de paixão de ser quem sou. Mas ainda sou pequenina, não entendo muitas das palavras complicadas e enigmáticas do livro do papá. Talvez quando crescer chegue a percebê-lo. Ao livro e a ele. Talvez um dia consigamos ter uma conversa.
Quero voltar a ser simples. Vou levar o cabelo atado e uns calções. Não chamar qualquer tipo de atenção. Observar, não ser observada. Eu ligo-te, lá do Norte, meu amor.
Vou fazer a mala, talvez leve a tua camisola, sim?
Bom fim-de-semana.

Falar, escrever, para quê? Não vivemos num tempo em que os verdadeiros heróis estão mudos? Quem poderá vir a responsabilizar os que não se comprometem, os que não protestam, os que não cometem o pecado de arriscar? (...)
 Em (meu) SER (da) NOITE (Diário); de José Duarte Saraiva.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Brava

Toscanini gravou uma obra sessenta e cinco vezes. Sabes o que ele disse quando terminou? "Podia estar melhor."
Um dia tu vais cair e chorar. E entender tudo. Todas as coisas. Que a única maneira de ser feliz é amar tudo e todos. Cada folha caída, cada raio de sol, cada pétala esvoaçante. Ajuda. Perdoa.
Que a irmandade fica connosco. Une-nos a todos, até ao fim dos tempos: foi a vida que me levou à tua porta.
Ensinei-me que há duas maneiras de vida justa: o caminho da Natureza e o caminho da Graça. Tens de escolher qual deles queres seguir.
A Natureza só se quer agradar a si mesma. Levar os outros a favor, também. Gosta de mandar neles. Ela encontra razões para ser infeliz quando todo o mundo brilha à volta dela. E o amor está a sorrir entre todas as coisas.
A Graça não se tenta agradar a si mesma. Aceita ser desprezada, esquecida, odiada. Aceita todos os insultos e ferimentos. Quem ama o caminho da Graça, porém, nunca tem um mau fim.
E perguntam-se ao seu amado Deus: "Onde estiveste Tu? Tu deixas acontecer qualquer mal. Porque haveria eu de ser bom se Tu não o és? Onde estiveste?! Sabes o que se passou? Porquê? Importas-te? (...)" Porque toda a gente tem a inexplicável vontade e necessidade de acreditar. Acreditar em algo, em alguém.
Há sempre tempos em que não podes fazer o que gostas. Fazes o que odeias.
E eu estou perdida porque não sei em que acredito, aliás, não sei em que acreditar. Acredito no Amor, acredito no Sol. Acredito que ele sorri para mim todos os dias, acredito que a Lua me embala todas as noites. Na Natureza. Acredito que me guia ao som das brisas, que me salva com o seu brilho. E eu ser-lhes-hei verdadeira, venha o que vier. Façam-me boa pessoa. Corajosa.
Façam-me não responder mal aos meus pais. Façam-me separar lutas. Façam-me valorizar tudo o que tenho. Não sei o que és. Ouves-me? Quero ver o que tu vês.
Onde estavas tu quando eu percebia os fundamentos da Terra, quando todas as estrelas da manhã cantaram juntas? Quando todos os pássaros gritavam de alegria? Onde?
Eu queria ser amada porque eu era grande, uma grande mulher. Eu não sou nada. Olha para a Glória a nosso redor: árvores, pássaros, solo. Sapientíssimos. Eu desonrei tudo, e não notei na Glória. Sou insensata.
És tudo o que tenho, és tudo o que eu quero ter.
Dizem que os bons são ingénuos. Que para chegar ao topo neste mundo tens que ser feroz e lutar com todas as forças. Dizem que se fores bom, as pessoas se aproveitam de ti. Que se queres ter sucesso não podes ser bom.
Mentiras.




Inspirada em "The tree of life".

terça-feira, 24 de julho de 2012

Já nem escrever sei. Não tenho razões, não tenho inspiração, não encontro as palavras certas, não me aguento em pé dentro de mim.
O corpo está vivo apesar de fragilizado mas a mente está queimada e eu não tenho medo. Voltei a ser um zombie.
Deitei-me no chão de peito virado para baixo novamente. A mesma gota escorregou, dançando ao som da mesma música, da mesma melodia. É razão para preocupação mas nem eu me consigo encarregar disso. A vontade de rasgar permanece com a mesma intensidade, provoca a mesma exaustão.
Já nem a minha cabeça confusa se importa com a sua pequena dor.
Encenei um passado falso, enganei-me este tempo todo.
Será que estás cá?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que não vais aguentar, mas aguentas. Sei que parece que vais explodir, mas não explodes. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro de nós, nesse momento, não é um bom lugar para se estar."


E eu aguentei, e aqui estou eu, não é verdade?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ontem disseste-me que a vida continuava e que ficaríamos aqui para sempre, ao sol, soltando leves respirações coordenadas para a atmosfera. Disseste que os pássaros cantariam até ás tardes de Novembro, admitiste o erro e a vergonha, a mágoa e a solidão.
Ontem admiraste o vento e os lençóis brancos, fingiste a imperfeição tão simples para a tua realidade, preferiste o difícil ao doce, o céu azul ao céu estrelado.
Ontem pressionaste a palma da tua mão contra a minha omoplata dorida, moveste o sol num império transparente de naturalidade, de facilidade, de eficácia. Ontem foste o escritor, o encenador, o realizador, e o actor principal, o herói deste mundo matreiro, materialista e malcriado, ontem foste parte de um futuro condensado, apesar de todo o teu passado condenado.


Mas a história é bem mais que isso.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Simples Metáforas.

Ainda me lembro de quando era garota: já adorava cozinhar.
E acima de tudo gostava de decorar o que fazia, deixar tudo bonito coberto de frutas, chocolate, natas e esse tipo de coisas atractivas num bolo.
E sabes como são os bolos quando se tiram das formas..
De antes gostava de virar a base para cima, porque não tinha formas de relevo, era plana e perfeita. Era essa que decorava.
Ao longo dos anos descobri que o outro lado, o que está por cima, o que mais se vê, o mais rugoso, é o mais bonito.
Cresci e percebi que a perfeição é feita de imperfeições.
Estou gorda e insatisfeita.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O céu que se deita sobre mim, impávido e sereno, ainda tem uma frescura firme apesar da estação. Estou cansada de noites frias. 
As brisas, essas, compõem canções de embalar que tecem o brilho suave da Lua, todas as noites, e nós nunca estamos lá para apreciar. 
As luzes apagadas do quarto atraem a luz exterior da noite para dentro dele. Da janela aberta, entra um fresco sentimento, um brilho enternecedor, palavras de conforto. Chamam-me para fora.
E fui. Acima de tudo tenho que cuidar de mim mesma. Tenho que proteger o meu corpo e o meu coração, já ambos cheios de cicatrizes. Tenho que molhar a face com gotas transparentes de mágoa, de vez em quando. Tenho que me abraçar com força e falar comigo mesma, tentar compreender-me quando ninguém compreende. Tenho que pensar no presente. Fazer o que me faz bem, o que me faz erguer os cantos da boca, mostrar os dentes tortos sem medo de imperfeições. Tenho que andar de cabelo solto e despenteado, vestígios de lágrimas na cara e pele seca e aperceber-me de quem ainda gosta realmente de mim porque a verdade é que eu gosto na mesma. Eu não quero mais fazer-me mal, porque fui eu quem sempre lá esteve para mim, desde o início. Desde o primeiro suspiro que me protejo e hei de fazê-lo até ao último porque eu também sou importante. Também tenho o direito de estar comigo mesma ás vezes. Tenho o direito a faltar a uma festa porque prefiro ficar a ver as estrelas deitada na relva. Eu tenho o direito a ter sido magoada e recuperar, a ter defeitos, a amar-me incondicionalmente e acima de tudo de todos os que me amam.
Eu sou a Joana Margarido, e vou deitar-me no telhado, tapar-me com uma manta e observar o silêncio.

sábado, 16 de junho de 2012

Adeus macacos.

Vocês nem sequer imaginam o que sinto, o quanto choro por dentro, a amargura que amadurece conforme o tempo passa, a necessidade de um pó de fada encantado repleto de uma cura indispensável.
O drama já desenvolve a erupção vulcânica da minha artéria aorta, a matéria encontra-se cada vez mais decomposta, torna-se escassa a actividade do sono. E atentem no facto do sono ser inevitável.
Os erros enchem-se como palavras insufladas, palavras matreiras e recebidas de uma forma muito intensa, que quase entorna o frasco da fragrância da minha alma vazia. Já dói essa alma de cada lágrima sem respiração.
Parecendo que não, a união serve-me de lição: O meu coração chora sozinho, formando um oceano de suspiros, palavras e emoções fortes.
Vocês nem sequer imaginam como eu vou sentir falta.
Sim, let it be meu amigo. Let it be.

Ao R, ao B, ao M e, principalmente, parecendo que não, ao D.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A bandeira já nem tem cor. O céu está incrivelmente inublado, comparando com as tardes anteriores. Tudo o que era verde, já não passa de plástico. Estúpido plástico.
Eu rodeava-me de crianças pobres, e só agora me apercebi da sua tamanha pobreza a miséria. Mas nada os impedia de ter um sorriso na cara.
E as memórias já magoam muito, no meu coração.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

F.

Se eu sair por aquela porta mais uma vez, antes de mais, perdoa-me.
Estou para aqui a escrever no vácuo sem sequer pensar que um dia tu vai provavelmente deixar-me.
E isso já dá que pensar agora, quanto mais na altura. E eu sei que fazias tudo por mim, mas as coisas não estão diferentes, e eu estou mais pegada a ti do que algum dia poderia vir a estar, a ti ou a outrem. Repito, já não consigo pensar, vens-me tanto à memória. E deixas-me esta raiva, esta raiva transparente de saber que me tens na mão. Vou ser sempre como um peixe num aquário, sempre à espera de ser alimentado por ti, entendes? E eu não sei se isso algum dia vai trazer consequências negativas para a tua vida. Porque eu vou estar sempre à tua espera. E se eu algum dia cometer um erro ou uma idiotice, garanto-te que me vou arrepender profundamente. A vida é previsível de uma maneira irrelevante. Eu vou dar conta que fiz um erro e não vou poder viver mais com isso. É por isso que ainda magoa, e vai sempre magoar.
Amar magoada,
Se calhar já nem sinto nada,
Esperemos que esteja errada
Mas não gosto de ser agarrada.
Sou agarrada a ti meu amor,
E não te quero largar,
Nem quero abdicar.
E eu nunca vou perceber o que nos faz errar:
Se não tiveres a fama já perdes o lugar.
Não é preciso,
Não vais compreender as palavras que digo sem dizer,
Aquelas que só sinto,
Encolhem-se contentes.
Não são palavras erradas
Nem palavras abandonadas,
Não são palavras que mintam
Ou que não sintam.
Talvez esteja enganada
Mas não parece nada.
És bem melhor que marijuana,
Estás aqui hoje
E estás o resto da semana
O amor é lindo mas perigoso,
É bom mas é vaidoso
Mas o que conta é o coração
Nos achamo-nos no escuro,
Nós temos outro tipo de paixão
Contigo ao meu lado
Nada de mim se sente abandonado,
Porque eu vou ficar sempre aqui, eu nunca mais vou sair por aquela porta.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Até ti.

No despertar de Junho já rebentarão botões de cereja, como em todos os anos.
O Futuro, tal como o Destino, é fatal e inevitável a um nível bastante elevado. Mas isso não lhe importa. O Futuro nasce a cada segundo com uma força intensamente versátil e poderosa. E eu que nem costumo falar nele. Não gosto de o planear porque ele próprio acha divertido contrariar-me as vontades, e ainda se ri da minha miséria. É por isso que o deixo decidir o que fazer comigo: Porque as cerejas amadurecerão de qualquer maneira, no despertar de Junho. Nem que elas escolham não o fazer.
Mas o Passado não gosta dessa decisão, sabes? Ele gosta que as pessoas se agarrem a ele com garras e dentes, e é por isso que é sempre considerado o mau da fita, no fim da história. Por tudo, por nada, por alguma coisa. De qualquer maneira eu só o visito de vez em quando.
Alguns casos de passado foram vividos de forma aleatória e voluntária, e outros de forma violenta, mas, independentemente disso, até à morte do Passado, o Futuro permanece lá. Porque o Futuro depende do Passado, e, para os que acreditam no Destino, o Passado depende do Futuro.
E como me transtorna fazer tudo tanto sentido. Como me choca o facto das peças do puzzle encaixarem sempre tão perfeitamente, sem um único erro de relevo. Esses, são as mentiras, mas isso já é outra história.

Valorizando a vida, não houve grande iniciativa da parte de muitos em torná-la mais produtiva, menos solitária em relação a memórias. Mas a verdade é que não é um assunto propriamente simples, a saudade.

domingo, 20 de maio de 2012

Segunda-feira.

Acho que não sou eu que tenho problemas.. É o mundo que parece ter um problema comigo. Eles julgam-me antes de me conhecerem, e é por isso que eu acho que fico melhor sozinha.
Ouve, isto costumava ser a minha monótona realidade, mas a rotina mudou. Tu não te importas que eu esteja despenteada ou que tenha o verniz estalado.
Odeio segundas-feiras.
Principalmente no início da semana, quando acordo, ainda me sinto meia zombie e fico colada à cama a debater comigo qual seria a melhor desculpa do dia para ficar a dormir. Quando finalmente chego à conclusão de que nada disso valeria a pena, arranjo coragem e armo-me em Hércules, salto da cama e espreguiço-me forçadamente. Depois, vou ler uma mensagem tua, porque enquanto fazia tudo isto, já tu tinhas tido tempo para te preparares. Dispo o pijama e visto a roupa do dia-a-dia. Vou lavar a cara, pôr as lentes de contacto, lavar os dentes e ajeitar o cabelo. É normalmente quando me calço que ouço "Joana Filipa, despacha-te que já estamos atrasadas!". 
Maquilho-me, meio à pressa e lá vou eu, sem tempo de tomar o pequeno-almoço. Esqueço-me da mala no quarto e tenho que subir as escadas todas desde a garagem ao andar do meu quarto. E quando finalmente chego ao carro tenho tempo de pensar "Será que chego a tempo de receber um beijo matinal?". A resposta é quase sempre negativa, tu sabes, mas quando és a primeira pessoa que eu vejo pela manhã o meu dia muda completamente, acredites ou não.
Na primeira aula, a de Matemática, nem dormir consigo, devido ao barulho. Então limito-me a desenhar, a brincar com a calculadora ou a escrever sobre ti.
Naqueles intervalos em que não estou contigo penso em estar, entre as brincadeiras do intervalo das 10:00 h. E nos que estou, entrego-me a ti.
E fico o resto da manhã a pensar "Hoje, depois das aulas, vou logo para casa!" até que chega o momento, e a vontade é pouca, e o sentimento é mais forte que eu e lá fico eu mais umas horas na cidade só para estar nem que sejam 5 minutos contigo.
Compensa sempre.
Isto é assim há 4 meses, isto vai continuar a ser.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Idiotas!

Caros amigos, colegas, familiares e conhecidos... Qual é o vosso problema com a segunda pessoa do pretérito perfeito?
Numa (por exemplo) pergunta como "Já comeste?" não se escreve "comes-te" mas sim comeste, não se escreve "pensas-te" mas sim pensaste, não se escreve "ignoras-te" mas sim ignoraste, não é "beijas-te" mas sim beijaste (...).
É que o erro gramatical é tão ignóbilmente comum que só posso achar que muita gente faz de propósito.

Pessoas no geral e palermas em particular, qual é a dificuldade em perceber a diferença entre as duas formas verbais? Ao lerem, não percebem que os sons são diferentes?
Riam-se de quem acha que África é um país da América do Sul. Isto não é melhor.
Quem está aborrecido ao ler isto, já deve estar a perguntar: "Então, já acabas-te?". Ao que eu respondo "Já. E tu, já les-te?". Não faz sentido. Nenhum. A sério.
Parem um pouco para pensar, se não estiverem demasiado ocupados a ver na TV programas inibidores do desenvolvimento cerebral.
"Percebes-te?"


terça-feira, 15 de maio de 2012

Soja!


I never really got why we're here
Just look at all we build in our lives
And we all disappear
A few of us are born with so much
While most of us is just chasing down a dream that we just can't touch
So why we try so hard in this place?
When pain and suffering is a guarantee
And happiness is a phase
I wonder if one day we're at peace
Or will this whole world just become like the middle east?

But when i (we) was (were) younger, when i (we) was (were) younger
I had the answers, i've gotta say
But all of my answers, now that i'm older
Turn into questions, in front of me

I wonder where we go when we die
If there is anything past our lost sun and our sky
Cuz airports only take us so high
Is it hidden in the stars?
What's the answer to your soul liying?
I wonder do we get to come back
I wonder if i will remember these questions i've asked
Or will i just start over again
I hope it's not too hard to find all of my old friends.

I wonder if we get one true love
Or maybe there's a few out there
Or maybe not even one
I wonder if it's made up by man
I wonder if love is what we make with our own two hands
I wonder why i write all these songs
I wonder if you know what I'm saying when you sing along
And will you know my name when i'm gone
Or are you just too sick of these love songs?

http://www.youtube.com/watch?v=f7b65sUhJFM

domingo, 13 de maio de 2012

meio vazia.


Ando confuso, compus versos que não senti
A minha vida sou eu versus o mundo mas um “eu” não sem ti
Ou nem sei bem se se trata disso, trato do quê?
Devia-me tratar mesmo, tratem de mo dizer
Vou escrever até passar ou entender o que te move
Não sei se hei-de amar porque só amo o que não posso
Se para ti te dá gozo eu trato de me censurar
Tu só vais desejar-me no dia em que eu te deixar
Mudando de assunto para outro: odeio o espelho
Mostra-me mais louco, mais velho mais feio, mais estranho
Leio, escrevo, escrevo, leio, nunca é suficiente
Sozinho na rua, na mente tenho tanta gente
Se um dia eu for o topo não fico assim arrogante
Não estou a dar para estrela, sempre brilhei distante
Se achas que eu ando a ler dicionários
Não preciso de palavras caras, eu quero que nem interesse
Quero que nem interesse tudo e quando digo tudo
Digo o mundo que até já me mandou dar uma volta a mim há muito
Para mim há duas maneiras de passar a vida
Afastares-te do sistema ou fazeres o que o sistema te dita
Eu claro não ia ficar a ver, ficava revoltado em casa
A escrever a endoidecer
Quando eu ignorar a história escrevo livros
Sobre a condição humana de estarmos presos à ideia de sermos livres
Simples, amostras de memórias
Frases e imagens do pretérito impelem-me insónias
Não sou ninguém e também não sou o único
Arrepia-te quando abraças alguém, pode ser o último
Não vou andar a vida toda
A procurar um atalho para a tua volta
Vai se queres e leva a tua indiferença
Pelos segredos que te dei para agora me dares a tua ausência
Não quero viver num eterno retorno
Porque eu sou rei mas caio sempre do trono
Sem ti, sem ti é a mesma coisa
Tu é que deixaste de sentir
Mas o nosso desejo é desigual
Não há problema mesmo morto eu vou ser eterno na minha cabeça
Tropa se eu partir desta um dia a gente vê-se
Nessa fábula
Enquanto te odeio
Por me atirares à cara o que fiz porque te quero
Evito pensar em ti, mas não sei
Fazê-lo devido ao desejo que pelo teu corpo tenho
A culpa não sou eu que a tenho
Lá por tu ma mandares não quer dizer que apanhe
No princípio eras doce, no fim ficaste o oposto
Dizem que estás cada vez mais bela devo estar um monstro
Fogem-me sempre as pessoas que eu gosto
Porque eu penso que não preciso dizê-lo e que se nota que eu gosto
O sonho é a realidade que nos foge
Adormeço a pensar em ti acordo a pensar em nós
E sei que para ti está tudo resolvido
Parece que vivi outra paixão sozinho
E forço-me a não pensar nisso
E penso em mais coisas que quero dizer e está tudo dito
Então o que é que eu tenho escrito?
Outra vez esse medo de escrever sem um objectivo
Quando este som acabar vais passar a frente ou pensar?
Quando é que vais mudar e deixar de esperar?
Deixa-me desesperar, eu não espero mais
Da vida do que aquilo que ela ofereceu aos meus pais
O teu silêncio são pedras no meio do meu barulho
Tu preferes o amor ou o orgulho?




sexta-feira, 11 de maio de 2012

; o lado oculto da lua

 Estou tão farta da mesma rotina.
Asneira, arrependimento, pedido de desculpas.
PRECISO DE PRAIA COM URGÊNCIA, já que deitar-me na relva já só trás memórias tristes.





terça-feira, 8 de maio de 2012

; Luisínho !

Lá estava o Camões, na aula de Português, acusando o Amor da sua própria insaciável sede, naquele engano de alma, ledo e cego.
E o destino não deixa durar muito nos saudosos olhos brilhantes e o nome que no peito escrito tinha. As lembranças que lhe moravam na alma.
« Tu, só tu, puro Amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga (...)
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga. »

E eu que sempre te julguei difícil de entender mas hoje entraste dentro da minha cabeça de uma maneira inexplicavelmente necessária.
Já não vejo as coisas da mesma maneira.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Saberes.

É embaraçoso questionar-me vezes sem conta o porquê de ser assim, rude, insensível e ás vezes repetitiva, com as minhas falinhas mansas, problemas pequeninos, com as minhas manias e com as minhas manhas, porque sim Francisco, eu sou .
É a palavra que melhor me descreve e nem tenho vergonha de o admitir. Sim, sou mázinha e não digo que não goste de o ser. Sabes bem que quando tenho uma oportunidade de dizer "amo-te" eu digo "odeio-te". Aleijo-te, insulto-te, deixo-te triste. Mas não penses que é por mal porque não é, é só a minha maneira de ser e não estou bem habituada a ela ainda. Mas a verdade é que sou assim há quase 15 anos. Respondona e bem arrogante, guardando em mim todos os segredos transparentes aos meus olhos, invisíveis aos dos outros. E sabes que mais? Tu consegues ver. Tu consegues descobrir o brilho do "amo-te" atrás do meu "odeio-te", tu consegues ver o lado oculto nas minhas agressividades, o lado doce, o lado que só por te estar a tocar, nem que fiques chateado, embaraçado, dorido, triste... O lado que pensa que isso tudo vale a pena por tu entrares nos meus sonhos todos os dias, sabes? E como é bom olhar para a lua, ouvir a trovoada, a chuva e o granizo, sentir disputas entre familiares, amigos e conhecidos, sentir o peso da sociedade, perceber o "acordar" para um mundo tão perfeitamente feio, tão cruel, dizendo melhor; mas saber, mais do que tudo que tu estás aqui para mim. Saber que tu me defendes, que me arrumas dentro do teu coração. E a dor de ser, que só a sente quem a tem, a dor de ir mais além? Ela não se dá por satisfeita e é guardada mais uma vez de lado. Claro que sei que ela volta.. E acredites ou não meu amor, a dor volta todos os dias, faz-me pensar que estou doente sentimentalmente. Ela quer que eu acredite que tudo acabou aqui. As oportunidades. Mas tu acordas-me tão bem. És responsável, és honesto, és compreensível e descobres toda a área do meu coração para mandares lá o teu, que é bem maior que o meu, porque acredita que tu tens muito para dar. Ao mundo.
Ás vezes choro um bocadinho por dentro quando olho para ti porque tu merecias tanto melhor, merecias um mar de liberdade, um céu de navegação. Mereces tudo o que queres e eu sou pequenina. Uma num milhão e isso não te devia chegar.
Confesso que isto foi tudo muito escrito à pressa, confesso que provavelmente nem valia a pena ter escrito tudo isto mas um vício é um vício e sabes que mais? Tu fazes-me perder os maus e agarrar os bons.


Amo-te.

terça-feira, 24 de abril de 2012

De onde vem esta dor?

Fui abandonada repetidamente na minha vida. Abandonada principalmente por aqueles que mais amei, abandonada sem sequer ter direito a uma simples despedida. Fui abandonada e acentuadamente e acima de tudo fui desiludida. Porquê?
Porque o amor que eu achava que tinhas por mim nem passou de uma ilusão, no meu actual ponto de vista. O meu era demasiado real.
E questiono-me se ainda pensas em mim. Se sentes saudades e se choras um pouquinho de vez em quando. Se também escreves parvoíces destas à espera de um dia serem encontradas. Mas provavelmente nem te lembras.
Se te lembrasses de mim, lembrar-te-ías daquela menina pequena de cabelos suaves e consciência livre. De olhar leve. Mas essa menina cresceu, e eu já não tenho sete anos nem vejo as coisas da mesma maneira.
Provavelmente tu também envelheceste. Não deves continuar a ter a agilidade suficiente para me agarrar e rodar quando corresse para ti no meio da igreja.
Mas que rebeldes que nós éramos! É a ultima memória que tenho de ti.
Vou fazer 15 anos ao despertar do Verão. Claro que já não estou à espera que estejas presente no meu aniversário ou que sequer te lembres dele. Tal como nos últimos. E nos Natais, Páscoas, Carnavais e Jantares de Família. Já não espero ansiosa à porta de casa, ano após ano, já não pergunto se ligaste. Agora percebo o silêncio opaco e os olhares tristes que lançavam lentamente uns aos outros quando o fazia. Já não verifico o correio a cada dia. Já não vasculho o sótão da avó, não viro baús para ler o teu nome rabiscado entre o pó em livros, cadernos e discos de vinil. A esperança de um sinal teu já morreu. Mas a saudade permanece, e dói muito, cada vez que me lembro da pobre existência dela.
Olha que criança que sou. Quero-te tanto como quis todos os dias desde a infância.
E esta pequena dor cresceu repentinamente João Paulo, e cresceu muito.
Continuo ansiosa, sim, por ouvir todas as tuas histórias e aventuras novas, as brincadeiras que inventaste, as músicas que te inspiraram.
Pergunto-me se algum dia voltarás a escrever, se voltarei a ouvir a tua voz. Gostava dela, achava-a uma voz feliz.
Até lá, juro guardar-te para sempre no fundo do peito, tio.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Horrivelmente Limitada

Estou farta de prometer mentiras forçadas. Mais do que intransmissíveis metáforas, as tão consagradas quando se trata de mim. Faz tudo parte do mesmo episódio, do mesmo capítulo, do mesmo reconciliamento que cada par transforma entre sim, cantando e tocando-se apressadamente sem sequer sentir o sabor doce mas diferente, como chocolate com malagueta. Uma experiência incomparável, palavras que saem das bocas não só dos cozinheiros mas também daqueles cujo pecado é a gula.
Mas as minhas não têm a noção de onde pensam que vão, são metáforas demasiado desleixadas ou até intocadas, porque ainda há muita verdade por dizer.
O karma é bastante compreensível, demasiado perfeito para um tal organismo dos membros conservadores da minha memória. E eu fiz mal em tocar nisso, em pensar e nem dizer a verdade para meu próprio bem, por meu próprio egoísmo. Tivesses juízo. Reflecte-se a dor do grilinho falante, da consciência. E, complexidades à parte, há consequências, estas bastante dependentes das propostas de "já estava a prever".
Protege e defende os eleitos à sensibilidade do órgão recolector de golpes de intensidade das ligações: O cérebro é re-eleito presidente em cada segundo. Se não funcionar em condições continua a ignorar o povo enigmático e esfaimado. O senhor presidente e os seus secretários sempre serão gulosos. O sufrágio do povo nunca é válido.
E como o tempo se deixa passar entre as horas existentes para próprio entretenimento. Até aposto que algo que gira os ponteiros se distrai porque também se está a divertir e chora, porque acaba desempregado. Lá se vai o conceito de "Hypopherinia". É o défice de justiça entre quem come e quem cultiva. É aborrecido, mas já ninguém compreende. Mas o contributo de algumas figuras de paz enlouquece o aparecimento de injustiça, e esta é vingativa.
Todos os indivíduos da minha geração são destinados à infeliz vontade de não poder fazer o que se quer e o que se ama, de alargar talentos; abrindo caminhos de pregos ferrugentos para fazer o que rende mais, lutando indiscretamente o desemprego: a vergonha da vida, supostamente. Algo que possa lutar à necessidade em níveis elevados de ser feliz, morre.
E o que é importante dito por poetas, deixou de interessar. Esconde-se em poços fundos e inalcansáveis  por 99 % da população insatisfeita pelas actividades económicas, principalmente.
Já nem o céu permite felicidade a quem o olha, porque outros desafios são colocados, nomeadamente a acção da poluição luminosa. O calor já abafa, o ar já aperta, o frio já contrai cada músculo. Estes, reduzindo progressivamente a normalidade da situação, perturbam a união anónima e natural das coisas.
No âmbito da defesa da ajuda à paisagem, a recuperação internacional faz face ao próprio poluidor, e há muitos.
É o peso da sociedade: ficamos a olhar uns para os outros em vez de uns pelos outros. Os justos pelos insignificantes. Se calhar é altura de parar de ouvir e começar a agir, pelo próprio benefício. Como cidadãos temos o direito de contrariar a felicidade e soltá-la de vez em quando. Quando surgem os desafios e problemas.
São temas que nem me dizem respeito, dizem os adultos. Curiosamente, muitos deles são completamente indiferentes à comunidade.
Mas o intelecto ainda conta.

domingo, 15 de abril de 2012

Olhares

Vida, quando te perguntei se podias ficar pior, era uma pergunta retórica e não um desafio. Mas tu és tão teimosa.
E é por isso que não me apetece nunca acordar, porque acho mais interessante ficar na cama a cavalgar com o Lucky Luke, a fazer tranças ao Jack Sparrow e a proteger rapazinhos de um Apocalipse zombie causado por uma bomba nuclear em Las Vegas.
Mas depois o sol bate-me na cara com uma suavidade surpreendentemente violenta e eu apercebo-me de que tenho que acordar e viver a monotonia de todos os dias desta geração. De falsidade, aparência, de mentiras e traições, de ignorância, principalmente.
São tempos maus, para os sonhadores.








quarta-feira, 4 de abril de 2012

A mudança.

Rápido, escrever rápido para não perder a inspiração, para não perder as ideias, o brilho no olhar, a mente concentrada e as palavras todas na palma da mão fechada.
Não culpes o dia por estar chuvoso mas agradece-lhe por ter estado solarento, valoriza as coisas simples.
Não te culpes por não entenderes algo denominado simples mas fica feliz por saberes várias coisas que outros desconhecem, valoriza-te e ao teu conhecimento.
Não culpes as pessoas por estares tristes, cansadas, zangadas ou mal humoradas mas abençoa-as por terem mostrado ternura alguma vez, valoriza outrem.
Não culpes as redes sociais por estarem repletas de comentários sobre futebol, sexo e marijuana porque a culpada é a geração, que, pelos vistos, não entende absolutamente nada de nada. Aceita-a, com a condição de seres como queres ser, valoriza-a por não ser ainda pior.
Sê mais expressivo, mais positivo, dá valor a tudo e a todos porque amanhã podem não estar cá. E isto pode ser uma teoria apenas mas é destas teorias que se forma uma vida. E qual é o significado desta? Bem, digamos que é o que tu quiseres que ela signifique.
Toma matirapona se necessário, chora, agride-te, faz o que quiseres da tua vida para te esqueceres ou ultrapassares lembranças menos boas. Mas dá a tudo o devido valor. Não tenhas medo da mudança. Sorri nas alturas mais embaraçosas, nas mais tristes, e especialmente nas menos adequadas. Ri sozinho. Mima-te. Mima a tua mãe, o teu pai, a tua família, o teu gato, o teu cão e o teu coelho. Olha-te ao espelho sem rancor. Não guardes palavras. Prepara o pequeno almoço a alguém que amas. Respira ar puro. Passeia. Conhece. Diverte-te, ao máximo. E para te divertires não precisas nada mais do que a tua pessoa. Não te preocupes, tudo passa. Não temas as consequências do teu próprio bem. Atinge um alto nível de ego só para ti. Rebola. Ignora, se for preciso. Ama cada defeito. Liga cada qualidade. Observa. Desenha cada traço de companhia. Voa. Sonha. Faz-te feliz. Sabes porquê?
Faz tudo parte do encanto.

domingo, 1 de abril de 2012

; again

ÁS vezes pergunto-me onde é que tive os olhos todo este tempo
Se foram distracções, hologramas ou ilusões
Se foi num pedaço de mar, numa gota de sol ou no sorriso que via no vento
Ou na melodia que escorria dos padrões
Só sei que morro de contentamento em acordar focada em ti
E sorrir ás tentações
Novamente.

sexta-feira, 30 de março de 2012

; serpentina.

As costas côncavas entre a cama desfeita, um abrigo agradável pela manhã fresca de Primavera.
Diferente:
Em termos de ser, sou,
Em termos de estar, estou.
Em termos de perceber, percebo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

; próprio.

Por detrás das tuas pupilas vazias
Nasce a cada dia um novo mundo
Em que a população sou só eu
Mas mais ninguém vê.

Que o amor é eléctrico num segundo
Mas noutro pode ser imundo
Desde o dia em que apareceu um traço menos transparente
De um desejo mais profundo
De ter o que não se vê.

A essência acorda-me a alma
Novamente
E o coração transborda
De uma resplandecente corda
De uma firme mas flutuante pátria
Que forra as paredes do meu canto transparente

Fortalece-as como um manto
E desenrola uma figura
Que por mais que esteja longe
Rebenta de ternura
Por detrás das tuas pupilas vazias.